ROTEIRO - 01
EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO
RELIGIOSO
POLITEÍSMO OU PAGANISMO
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Dar a diferença entre politeísmo
e paganismo.
Fazer um estudo sobre as origens do
politeísmo.
Descrever as características
comuns das religiões politeístas.
IDÉIAS PRINCIPAIS
(...) politeísmo designa a
crença em deuses ou a adoração de mais de um deus.
(...)" (05)
Pagãos são os adeptos
das religiões não monoteístas (os seguidores do monoteísmo
encontram-se. por exemplo. no Judaísmo no Cristianismo, no Maometismo
São denominados pagãos,
igualmente, aqueles que se não vinculam a nenhuma religião.
Por extensão, como pagãos,
são designados os politeístas em geral.
O politeísmo originou-se desde
quando o homem "(...) incapaz, pela sua ignorância, de conceber um
ser imaterial, sem forma determinada, atuando sobre a matéria, conferiu-lhe
(...) atributos da natureza corpórea, isto e, uma forma e um aspecto
e, desde então, tudo o que parecia ultrapassar os limites da inteligência
comum era, para ele, uma divindade. (...)" (01)
As religiões politeístas,
em geral, adoravam inúmeros deuses, semi-deuses ou heróis,
formando mitologia mais ou menos rica, fértil em lendas; a cosmogonia
e a teogonia se assemelhavam bastante; eram dadas a hábitos de sacrificar
animais ou pessoas a fim de obter boas graças das divindades. As
características físicas, morais e espirituais dos deuses
eram semelhantes as dos homens, só que em grau mais elevado. (03,
08, 09)
FONTES DE CONSULTA
BÁSICAS
01 KARDEC, Allan. Politeísmo.
In:_ . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed.
Rio de Janeiro, FEB, 1983. Questão 667,p. 322.323.
02. Op. cit., questão 668,
p. 323.
03. Op. cit., questão 669.
p. 324.
COMPLEMENTARES
04. ENCICLOPÉDIA DELTA LAROUSSE.
2. ed. Rio de Janeiro, 1967. v. 04, p. 1-780.
04a. Op. cit., p. 1733.
05 FUNDAÇÃO GETÚLIO
VARGAS. Dicionário de Ciências Sociais. Rio de Janeiro, 1986.
FGV, p. 921 (Politeísmo).
06. LELLO UNIVERSAL. Porto (Portugal),
Lello & Irmao, s/d. v. 03, p 581 (Politeísmo).
07. Op. cit., v. 04, p. 861 (Religião).
08. SEEMANN, Otto. Contenido de la
mitologia Griega y Romana. In: Mitologia Clássica Ilustrada. Trad.
Eduardo Valente. Barcelona (Espana), Vergara, 1958. p. 11-12.
09. Op. cit., p. 14-20.
10. VERBO. Enciclopédia Luso
Brasileira de Cultura. Lisboa (Portugal) s/d. v. 14, p. 1050-1052.
11. Op. cit., v. 15, p. 436 (Politeísmo).
12. XAVIER, Francisco Cândido.
As grandes religiões do passado. In A Caminho da Luz. Pelo Espirito
Emmanuel. 13. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1985. p. 83-84.
12a. Op. cit., p. 84.
13. Op. cit., p. 17-33.
POLITEÍSMO OU PAGANISMO
A questão 667 de "O Livro dos
Espíritos nos esclarece sobre as origens do politeísmo ":
(...) a concepção de um Deus único não poderia
existir no homem, senão como resultado do desenvolvimento de suas
idéias. Incapaz, pela sua .ignorância, de conceber um ser
imaterial ,sem forma determinada, atuando sobre a material conferiu lhe
o homem atributos da natureza corpórea, isto é, uma forma
e um aspecto e, desde então, tudo o que parecia ultrapassar o.;
limites da inteligência comum era, para ele, uma divindade. Tudo
o que não compreendia devia ser obra de uma potência sobrenatural.
(...)" (01)
Politeísmo é, pois "(...)
crença religiosa numa pluralidade de deuses (...)." (11), "(...)
ou a adoração de mais de um deus(...)."(05)
Devemos, inicialmente, entender o
significado de Deus para que possamos alcançar o sentido das idéias
politeístas. Recorramos a questão 668 da obra da codificação,
já citada: "(...) chamando deus a tudo o que era sobre humano, os
homens tinham por deuses os Espíritos. Dal veio que, quando um homem,
pelas suas ações, pelo seu gênio, ou por um poder oculto
que o vulgo não lograva compreender, se distinguia dos demais, faziam
dele um DEUS e, por sua. morte, .lhe rendiam culto.
A palavra deus tinha, entre os antigos,
acepção muito ampla. E não indicava, como presentemente,
uma personificação do Senhor da Natureza. Era uma qualificação
genérica, que se dava a todo ser existente fora das condições
da Humanidade. (...) Se estudarmos atentamente os diversos atributos das
divindades pagas, reconheceremos, sem esforços, todos os de que
vemos dotados os Espíritos nos diferentes graus da escala espírita,
o estado físico em que se encontram nos mundos superiores, todas
as propriedades do perispírito e os papeis que desempenham nas coisas
da Terra. (...)" (02)
(...) Entre os vários fatores
responsáveis pela criação e multiplicação
dos deuses devemos salientar: a) a personificação das forças
da natureza (mit. astral, deuses telúricos e subterrâneos,
deuses da fecundidade) e a sua conseqüente elevação
ao reino da divindade; b) a divinização de antepassados e
heróis; c) a centralização política dos grandes
Estalos, provocando a fusão e a unificação de culturas
e crenças (---) . " ( 11 )
Estes itens apontados podem, segundo
o constante na " Lello Universal", ser expressos nos três principais
sistemas do politeísmo:
"(...) a idolatria, adoração
de muitos deuses personificados por ídolo grosseiros; o sabeismo,
culto dos astros e do fogo sem intermédio de emblemas representativos,
e o feiticismo( ), adoração de tudo quanto impressiona a
imaginação e a que se atribui poder; não e raro encontrar
esta três formas estreitamente unidas (...)." (06)
Devemos fazer um parêntese nesta altura do nosso estudo: a palavra paganismo e comumente usada como sinônima de politeísmo. Em essência, o e mesmo; mas do ponto de vista histórico e teológico, não. Quando Constantino consagrou o cristianismo como a nova religião do Império Romano os não cristãos eram chamados de pagãos: praticantes do paganismo. Neste aspecto, foram generalizados como pagãos tanto os politeístas propriamente ditos, como os monoteístas não cristãos. (10) Dai entender se , apesar de não se justificar, a perseguição religiosa, que a Historia descreve, aos judeus, maometanos e outros povos.
"(...) Feiticistas ( ) na sua origem,
como o são ainda hoje entre os povos selvagens, as religiões
da antigüidade eram politeístas, com u ma tendência mais
ou menos acentuada para o antropomorfismo. Tais eram as religiões
dos principais povos antigos: egípcios; assírios, fenícios,
persas, cartagineses, gregos e romanos, gauleses, germanos; tal e ainda
atualmente a maior parte das religiões do extremo Oriente, na Índia,
no Japão ou na China. Em geral o dogma era muito incerto, as crenças
confusas e misturadas de lendas: o culto, nacional ou local, era concebido
como uma espécie de contrato entre o homem e a divindade. (...)"
(07)
Segundo C. de Brosses, em "Do Culto
dos Deuses e Fetiches " (. . . ) todas as religiões, ... exceção
(...) da dos hebreus, derivariam do fetichismo, o qual, por sua vez, se
originaria do medo (...) Müller fixou definitivamente a ciência
das religiões, ao aplicar o método histórico a interpretação
dos mitos gregos. (...) O raio de alcance das pesquisas estendeu se a mitologia
dos diversos povos indo europeus, considerada como a mais antiga das manifestações
religiosas. (...)" (04)
"(...) J. Lubbock dividiu em seis
períodos a historia religiosa da Humanidade ateísmo; 2- fetichismo
(do português feitiço, sortilégio); 3- culto da natureza;
4- xamanismo (a religião dos xamãs, feiticeiros profissionais);
5- antropomorfismo; 6- crença em um deus criador e providencial
(...). Já em 1767, o francês N.S. Bergier emitira um conceito
segundo o qual o fetichismo explicava se pela semelhança entre a
mentalidade do primitivo e a da criança que empresta uma alma e
uma personalidade ativa a cada um dos objetos que a rodeiam. A etnologia
comparada permitiu a E. B. Tylor retomar e desenvolver esse conceito. Segundo
esse autor ("Primitive Culture ", 1872) (...) o homem pré-histórico
(...) ter-se-ia formado de início uma determinada noção
da própria alma a qual não tardaria a assimilar a alma dos
animais e das plantas, para depois passar a concebe-la sob a forma de espíritos
individuais disseminados por toda a natureza. Em resultado de uma lenta
seleção, daí se teria originado o politeísmo.
Em algumas raças superiores (civilizadas) o deus supremo se teria
tornado deus único. (...)" (04)
Estudando as origens do politeísmo
e do paganismo, Emmanuel, em A Caminho da Luz, nos faz importante alerta:
que a gênese de todas as religiões da Humanidade tem origem
no coração augusto e misericordioso do Cristo, devido, evidentemente,
a circunstância de ser Ele o diretor espiritual do orbe terrestre.
Para tanto, de tempos em tempos, envia mensageiros ... Terra para ensinar
e difundir as verdades evangélicas. ( 12 )" (...) Fora erro crasso
julgar como bárbaros e pagãos os povos terrestres que ainda
não conhecem diretamente as lições sublimes do seu
Evangelho de redenção, porquanto a sua desvelada assistência
acompanhou, como acompanha a todo o tempo, a evolução das
criaturas em todas as latitudes do orbe. A história da China, da
Pérsia, do Egito, da Índia, dos árabes, dos israelitas,
dos celtas, dos gregos e dos romanos está alumiada pela luz dos
seus poderosos emissários. E muitos deles tão bem se houveram,
no cumprimento dos seus grandes e abençoados deveres, que foram
havidos como sendo Ele próprio, em reencarnações sucessivas
e periódicas do seu divinizado amor. No Manava-Darma, encontramos
a lição do Cristo; na China encontramos Fo-Hi, Lao-Tse, Confúcio;
nas crenças do Tibete, está a personalidade de Buda e no
Pentateuco encontramos Moisés; no Alcorão vemos Maomet. Cada
rasa recebeu os seus instrutores, como se fosse Ele mesmo (...)." (12)
Outro alerta que Emmanuel também
nos faz, na obra citada, e sobre a unidade substancial das religiões:
"(...) A verdade e que todos os livros e tradições religiosas
da Antigüidade guardam, entre si, a mais estreita unidade substancial.
As revelações evolucionam numa esfera gradativa de conhecimento.
Todas se referem ao Deus impersonificavel, que e a essência da vida
de todo o Universo, e no tradicionalismo de todas palpita a visão
sublimada do Cristo, esperado em todos os pontos do Globo.(...) (12a) -;
'-
''''' No próximo roteiro estudaremos
as principais religiões politeístas da Terra e a contribuição
dessas idéias religiosas para a formação moral e social
da Humanidade. Antes', porem, abordaremos algumas definições
que julgamos importantes para a compreensão do assunto.
GLOSSÁRIO
MITOLOGIA - É o estudo dos mitos. Nem toda religião está ligada a uma mitologia, mas "(...) as religiões de caráter politeísta e antropomórfico oferecem, em principio, a imaginação mítica, mateira própria. (...)" (4a)
MITO - É uma narração poética referente ao nascimento, vida e feitos dos antigos deuses e heróis do paganismo. (08)
LENDA - Relato transmitido pela tradição. (08)
ORIGENS DOS MITOS - Guarda relação com a observação da natureza e seus variados e multiformes elementos. A imaginação humana personificou os fenômenos naturais e os imaginou como individualidades livres, independentes, cuja atuação estava submetida a invariáveis leis morais e dotados, também, de uma corporeidade muito próxima da forma humana (antropomorfismo). (08)
EVOLUÇÃO DOS MITOS - A mitologia grega era muito mais rica que a dos romanos e de outros povos, devido o espirito helênico ter sido altamente criador e o romano mais pratico. (08)
FONTE DA MITOLOGIA - Baseia-se no legado dos poetas gregos e latinos. Merece destaque a obra deixada pelo grego Homero. (09)
COMO ERAM OS DEUSES - A aparência dos deuses era totalmente humana, porem melhorada, mais bela e majestosa; mais fortes, mais vigorosos. Possuíam todas as faculdades humanas em escala ampliada. Necessitavam, como os homens, do sono, da comida e da bebida. A comida não era igual a vulgar alimentação humana, mas se alimentavam do néctar e ambrosia. Necessitavam andar vestidos, sobretudo as deusas que escolhiam as vestes e os adornos com capricho. O nascimento era semelhante ao dos humanos, porem os deuses eram precoces e o período da infância bem reduzido. A mais importante vantagem dos deuses sobre os homens era o fato de serem imortais , nunca envelheciam, não eram atingidos por doença alguma. Moralmente eram muito superiores aos mortais e como a maldade, a impureza e a injustiça os aborreciam não hesitavam em castigar as maldades e injustiças humanas. Apesar de toda superioridade física, moral e espiritual,; os deuses estavam presos aos seus destinos, fixados desde a eternidade. Os deuses passavam a vida desocupados, num verdadeiro "far niente " (nada fazendo), por isto buscavam toda sorte de divertimentos e passatempos. Os deuses viviam numa grande comunidade, reunidos em torno dopai dos deuses e dos homens (o deus principal). (09)
A COSMOGONIA - (Mitos referentes as origens do mundo) era mais ou menos semelhante entre os diversos povos politeístas, apesar de que os romanos não se cuidaram de ter idéias próprias sobre tal coisa. De um modo geral, os antigos acreditavam que o mundo surgiu a partir do caos, ou seja, de um espaço infinito e tenebroso. (09)
A TEOGONIA - (Mitos que explicam o nascimento e descendência dos deuses), entre os diversos povos politeístas, também e similar, mudando, a vezes, nomes, locais e as lendas. (09)
SACRIFÍCIOS - Os povos primitivos
e politeístas adoravam os deuses através de oferendas, cultos,
rituais que, geralmente, comportavam sacrifícios de animais ou de
seres humanos. Como nos esclarece a questão 669 de "0 Livro dos
Espíritos", os sacrifícios existiam. "(...) Primeiramente,
porque não compreendiam Deus como sendo a fonte da bondade. Nos
povos primitivos a matéria sobrepuja o espírito; eles se
entregam aos instintos do animal selvagem. Por isso é que, em geral,
são cruéis; e que neles o senso moral ainda não se
acha desenvolvido. Em segundo lugar, e natural que os homens primitivos
acreditassem ter uma criatura animada muito mais valor, aos olhos de Deus,
do que um corpo material. Foi isto que os levou a imolarem, primeiro, animais
e, mais tarde, homens. (...)" (03)
QUESTIONÁRIO
RESPONDA OBJETIVAMENTE AS SEGUINTES QUESTÕES:
01. Quais as características do politeísmo e do paganismo ?
02. Cite, resumidamente, as origens
do politeísmo.
03. Considerando os comentários
de Allan. Kardec em "0 Livro dos Espíritos", questão 668,
com quem poderíamos comparar os deuses da antigüidade? Justifique
a resposta.
04. Que fatores foram responsáveis
pelo surgimento da crença em vários deuses?
05. Qual a diferença existente
entre idolatria, sabeísmo e feiticismo ?
06. Podemos dizer que as religiões
politeístas originaram-se no feiticismo? Por quê?
07. Qual a origem da prática
dos sacrifícios de animais ou seres humanos feitos aos deuses?
08. Reflita e responda: por que as
religiões primitivas são politeístas e, após
maiores conquistas evolutivas, tornam-se monoteístas?
09. Emmanuel nos fala que todas as
religiões, inclusive as politeístas, guardam entre si estreita
unidade substancial. O que ele quer dizer com esta afirmação?
10. Descreva as características
comuns das religiões politeístas.