ROTEIRO 2
DEUS
O INFINITO E O ESPAÇO UNIVERSAL
OBJETIVOS BÁSICOS
Conceituar: Infinito, Tempo e Espaço.
Estabelecer a diferença entre
Tempo e Espaço.
Dizer porque não se deve confundir
Deus com o Infinito.
IDÉIAS PRINCIPAIS
Infinito é "o que não
tem começo nem fim: o desconhecido(...)."(01)
"(...) O tempo é apenas uma
medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade
não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista
da duração; para ela, não há começo,
nem fim: tudo lhe é presente. (...)" (06a)
"(...) O tempo é criado pela
medida dos movimentos celestes. Se a Terra não girasse, nem astro
algum; se não houvesse sucessão de períodos, não
existiria o tempo. Foi a Astronomia que criou o tempo.(...)" (07)
"(...) O espaço é a
extensão que separa dois corpos (...)." (05)
"(...) Ora, digo que o espaço
é infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe
um limite qualquer. (...)" (06)
Dizer que Deus é o infinito
é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma (...)."
(02)
FONTES DE CONSULTA
01 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
Trad. de Guillon Ribeira. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, Questão
02, p. 51.
02 - Op. cit., questão 03,
p. 52.
03 - Op. cit., questão 13,
p. 55.
04 - Op. cit., questão 35,
p. 63.
05 - Uranografia Geral. In: . A Gênese.
Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1 8 . Item 01, p.
103.
06 - Op. cit., p. 104.
06 - (a) Op. cit., p. 107.
COMPLEMENTARES
07 - FLAMARION, Camille. O Universo
Ulterior. In: . Sonhos Estelares. Trad. de Arnaldo S. Thiago. Rio
de Janeiro, FEB, 1. p. 97.
08 - MIRANDA, Hermínio C. As
Estruturas, Tempo e Espaço. In: . A Memória
e o Tempo. São Paulo, EDICEL, 1981. o. 28.
O INFINlTO E O ESPAÇO UNIVERSAL
No roteiro n º l falamos de Deus,,
como causa necessária do Universo.
Mas o que é Universo? - É
o conjunto de tudo o que existe e não é obra do homem. O
universo é a obra de Deus, de que faz par te o próprio homem,
ser pensante e racional, mas que é apenas uma criatura, um filho
de Deus. Nesse Universo há de considerar-se desde logo o espaço
que ë a extensão onde tudo existe, e ligado a esse espaço
deve considerar-se também o tempo. Espaço e Tempo, porém,’
em termos universais, e., em relação a Deus, têm
as dimensões do infinito e da eternidade.
É isso que nos ensina a Doutrina
Espírita, exposta em "O Livro dos Espíritos". Ali,
à pergunta de Allan Kardec, de n º 35 - O espaço
universal é infinito ou limitado ? os Espíritos responderam:
"Infinito. Supõem-no limitado:
que haverá para lá de seus limites? Isto te confunde a razão,
bem o sei; no entanto, a razão te diz que não pode ser de
outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas. Não
é na pequenina esfera em que vos achais que podereis compreendê-lo."
(04)
O espaço ë, pois, infinito.
Que se deve, entretanto, entender por infinito? Disseram-no também
os Espíritos, na resposta à pergunta n º 2 de "O
Livro dos Espíritos ":
"O que não tem começo
nem fim: o desconhecido; tudo que é desconhecido é infinito."
(01)
E à pergunta seguinte: Poder-se-ia
dizer que Deus é infinito ?" os Espíritos responderam:
"Definição incompleta.
Pobreza da linguagem humana, insuficiente para definir o que está
acima da linguagem dos homens.
Deus é infinito em suas perfeições
- acrescenta Kardec em comentário próprio - mas o infinito
é uma abstração. Dizer que. Deus é o infinito
é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma, é definir
uma coisa que não está conhecida por uma outra que não
o está mais do que a primeira." (02)
Começando a enumerar os atributos
divinos, .;explana magistralmente Kardec: "(...) Deus é eterno.
Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então,
também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que,
de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. (...)"
(03)
Como se vê, apesar da lógica
de Kardec, o assunto parece extremamente complexo e o problema aparentemente
insolúvel. Entretanto tudo pode-se tornar extremamente simples e
a solução limpidamente clara, se se coloca o homem na condição
de criatura imperfeita ainda, mas perfectível, simples e ignorante
em seu começo: pequena, podendo porém engrandecer-se - e
por desígnio divino - através de degraus sucessivos, cada
vez mais altos, que o vão tirando da ignorância, aumentando-lhe
pouco a pouco o horizonte, dilatando-lhe a visão das coisas e dando-lhe,
enfim, maior intuição. É a grande lei do progresso.
Conforma-te, pois, oh! homem, com
o teu degrau atual - sente-se vontade de clamar -, e esforça-te
por subir os sucessivos degraus da escala! Sê humilde diante da grandeza
do Criador e confia na sua divina providência, que te criou para
atingires um dia os píncaros do saber e excelsas virtudes.
No capítulo VI de "A Gênese",
de Allan Kardec, pag. 103 a 105 da 26. edição da FEB, há
uma mensagem do elevado Espírito Galileu, recebida na Sociedade
Parisiense de Estudos Espíritas, através da mediunidade de
C. F. (a editora informa que essas são as iniciais de Camille Flammarion)
que satisfaz a razão no que toca às noções
que estamos procurando adquirir neste roteiro, è cujo texto vamos
a seguir transcrever integralmente:
1. - Já muitas definições
de espaço foram dadas, sendo a principal esta : O espaço
é a extensão que separa dois corpos, na qual certos sofistas
deduziram que onde não haja corpos não haverá espaço.
Nisto foi que se basearam alguns doutores em teologia para estabelecer
que o espaço é necessariamente finito, alegando que certo
número de corpos finitos não poderiam formar uma série
infinita e que, onde acabassem os corpos, igualmente o espaço acabaria.
Também definiram o espaço
como sendo o lugar onde se movem os mundos, o vazio onde a matéria
atua, etc. Deixemos todas essas definições, que nada definem,
nos tratados onde repousam.
Espaço é; uma dessas
palavras que exprimem uma idéia primitiva c axiomática, de
si mesma evidente, e a cujo respeito as diversas definições
que se possam dar nada mais fazem do que obscurece-la. Todos sabemos o
que é o espaço e eu apenas quero firmar que ele é
infinito, a fim de que os nossos estudos ulteriores não encontrem
uma barreira opondo-se às investigações do nosso olhar.
(1) Este capitulo 6 textualmente extraído de uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espirita de Paris, em 1862 e 1863, sob o titulo - Estudos uranográficos e assinadas GALILEU. Médium: C. F. Nota do Tradutor: Estas são as iniciais do nome de Camilo Flammarion.
Ora, digo que o espaço e infinito,
pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe um limite qualquer.
e porque, apesar da dificuldade com que topamos para conceber o infinito,
mais fácil nos é avançar eternamente pelo espaço,
em pensamento, do que parar num ponto qualquer, depois do qual não
mais encontrássemos extensão a percorrer.
Para figurarmos, quanto no-lo permitam
as nossas limitadas faculdades, a infinidade do espaço, suponhamos
que, partindo da Terra, perdida no meio do infinito, para um ponto qualquer
do Universo, com a velocidade prodigiosa da centelha elétrica, que
percorre milhares de léguas por segundo, e que, havendo percorrido
milhões de léguas mal tenhamos deixado este globo, nos achamos
num lugar donde apenas o divisamos sob o aspecto de pálida estrela.
Passado um instante, seguindo sempre a mesma direção, chegamos
a essas estrelas longínquas que mal percebeis da vossa estação
terrestre. Dei, não só a Terra aos desaparece inteiramente
do olhar nas profundezas do céu, como também o próprio
Sol, com todo o seu esplendor, se há eclipsado pela extensão
que dele nos separa. Animados sempre da mesma velocidade do relâmpago,
a cada passo que avançamos na extensão, transpomos sistemas
de mundos, ilhas de luz etérea, estradas estelíferas, paragens
suntuosas onde Deus semeou mundos na mesma profusão com que semeou
as plantas nas pradarias terrenas.
Ora, há apenas poucos minutos
que caminhamos e já centenas do milhões de milhões
de léguas nos separam da, Terra, bilhões do mundos nos passaram
sob as vistas e, entretanto, escutai! cm realidade, não avançamos
um só passo que seja no Universo.
Se continuarmos durante anos, séculos,
milhares de séculos, milhões de períodos cem vezes
seculares e sempre com a mesma velocidade do relâmpago,
nern um passo igualmente teremos avançado, qualquer que seja
o lado para onde nos dirijamos e qualquer que seja o ponto para onde nos
encaminhemos, a partir desse grãozinho invisível donde saímos
e a que chamamos Terra.
Eis ai o que é o espaço!
Estudemos, agora, o tempo.
Segundo Allan Kardec, "(...) O tempo
é a sucessão das coisas.
Está ligado à eternidade,
do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito (...).
O tempo é apenas uma medida
relativa de sucessão das coisas transitórias; a eternidade
não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista
da duração; para ela, não há começo,
nem fim: tudo lhe é presente. (...) {08)
"(...) O espaço existe por
si mesmo, passando-se o contrário com relação ao tempo.
É impossível supor a
supressão do espaço. (...)Já não é as
sim como relação ao tempo.
O tempo é criado pela medida
dos movimentos celestes. Se a Terra não girasse, nem astro algum;
se não houvesse sucessão de períodos, não existiria
o tempo. Foi a Astronomia que criou o tempo. Suprimi-o universo, o espaço
continuará a existir, mas o tempo cessará, desvanecer-se-á,
desaparecerá (...)." (07)
Einstein descartou-se do conceito
de tempo absoluto - um fluxo universal inexorável de tempo, firme,
invariável, correndo de um passado infinito para um futuro infinito.
Muito da obscuridade que envolve a Teoria da Relatividade (...) procede
da relutância do homem em reconhecer que o senso do tempo, como o
sendo de cor, é uma forma de percepção. Assim como
não há tal coisa como cor sem olhos para observá-la,
da mesma forma, um instante, uma hora ou um dia nada são sem um
evento que os assinale. E como espaço é simplesmente uma
ordem possível de objetos materiais, o tempo é simplesmente
uma ordem possível de eventos.
O tempo seria, então, um conceito
meramente subjetivo, ou seja, estaria exclusivamente na dependência
de um observador para apreciá-lo em determinado ponto e, portanto,
inescapavelmente subordinado à relatividade de sua posição
quanto a tudo o mais no universo que o cerca. (...)" (08)