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PROGRAMA V

ROTEIRO 6
 

FLUIDOS E PERISPÍRITO
VESTIMENTA DOS ESPÍRITOS

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Esclarecer como os Espíritos criam as suas vestimentas.
Dizer porque a vestimenta dos Espíritos superiores difere da dos inferiores.

IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade (...). Pelo pensamento eles imprimem aqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas. (...) '' (o1)
"(...) A veste fluídica denuncia a superioridade do Espirito. (...) Opaca e sombria na alma inferior, seu alvor aumenta de acordo com os progressos realizados. (...) Brilhante no Espirito elevado, ofusca nas almas superiores. " (07)
Há Espíritos, "(...) alguns muito inferiores e criminosos, geralmente obsessores da mais ínfima espécie, cuja mente não possui - vibrações - à altura de efetuar a admirável operação plástica requerida. Por isso mesmo, a aparência destes últimos costuma ser chocante para o vidente, pela fealdade ou simplesmente pela miséria, pois se apresentam cobertos de andrajos e farrapos, (...) ou embuçados em longos sudários negros (...)." (04)

BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Ação dos Espíritos sobre os fluidos. - Criações fluídicas. - Fotografia do pensamento. In: - . A Gênese. Trad. Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982, p. 281 e 282, cap. 14, item 14.
02. - Do laboratório do Mundo Invisível. In: - . O Livro dos Médiuns. Trad. de Guillon Ribeiro. 41. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979, p. 159, cap. 08.
03.- Op. cit., item 128, resposta a 16a pergunta, p. 162.

COMPLEMENTARES
04. PEREIRA, Yvonne A. Como se trajam os Espíritos... In: - . Devassando o Invisível, 3. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976, p. 47.
05. Op. cit., p. 54.
06. Op. cit., p. 57.
07. DENIS, Léon. A vida superior. In: - . Depois da Morte. Trad. de João Loureço de Souza, 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978, p. 226.

VESTIMENTA DOS ESPÍRITOS
Os depoimentos dos médiuns videntes são coincidentes em descrever os Espíritos envergando, normalmente, uma vestimenta qualquer. Há sensitivos que registram os trajes dos Espíritos com grande riqueza de detalhes. Falam de variedades de feitios e de coloridos surpreendentes. Referem roupas de períodos históricos, típicas, com adornos característicos. São percebidos tecidos leves, esvoaçantes, rendados; pesados ou grosseiros; túnicas de cores as mais variadas; calcas, camisas, paletós, coletes, gravatas; saias compridas ou curtas; blusas ou casacos, vestidos, uniformes, indumentárias ricas, antigas ou modernas; roupas modestas, muito pobres e ate andrajosas ou esfarrapadas. Algumas vestimentas descritas primam pelo estampado de cores vivas, como é o caso de Espíritos que se apresentam sob a aparência de ciganos, exibindo, ainda, colares, brincos bem grandes, pulseiras. Alguns Espíritos se mostram envergando fardas militares bem antigas ou de épocas mais recentes; outros ostentam armaduras e capacetes e empunham armas. Há, também, aqueles que escondem total mente a cabeça com capuz.
Entre os trajes observados, a túnica e o mais comum.
Como bem refere a médium Yvonne A Pereira, os Espíritos, freqüentemente, se mostram trajados como o faziam quando no corpo físico: os homens com o terno que costumavam usar; as mulheres com os vestidos de uso habitual. Alguns poucos exibem a roupa com que foram sepultados. (05
E oportuno mencionar que alguns Espíritos podem ser observados totalmente despidos. A médium antes citada, em sua obra "Devassando o Invisível", falando de suas ricas observações através da vidência em estado normal ou em processo de desdobramento, afirma que "(...) há Espíritos desencarnados, aqueles que foram homens e mulheres de baixa condição moral, que se arrastaram em existências consagradas aos excessos carnais, à devassidão dos costumes, que podem, com efeito, aparecer desnudos aos médiuns, revelando mesmo, em cenas degradantes, que lhes foram habituais no estado humano, a degradação mental em que ainda permanecem (...)." (06)
Mas, voltando às vestimentas, uma questão que, naturalmente, se impõe e saber onde os Espíritos conseguem suas roupas e complementos.
Em "A Gênese" e em "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec, encontra-se a resposta a essa indagação. Diz o Codificador da Doutrina dos Espíritos que estes manipulam os fluidos espirituais através do pensamento e da vontade. (...)Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluídos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas (...)." (01)
Os fluidos espirituais são, por conseguinte, o elemento do mundo espiritual donde os Espíritos extraem as substâncias para fins os mais diversos. "(...) ~ com o auxílio deste principio material que o perispírito toma a aparência de vestuários semelhantes aos que o Espirito usava quando vivo (...)." (02)
Há Espíritos que já se percebem vestidos e não têm idéia de como isto se faz. Por outras palavras, nem sempre têm o conhecimento de como suas vestes são formadas. Eles concorrem para sua formação agindo instintivamente. (03) -
"(...) Os Espíritos se trajam e modificam a aparência das vestes que usam conforme lhes apraz, exclusão feita de alguns muito inferiores e criminosos, geralmente obsessores da mais ínfima espécie, cuja mente não possui vibrações a altura de efetuar a admirável "operação plástica " requerida. Por isso mesmo, a aparência destes últimos costuma ser chocante para o vidente, pela fealdade, ou simplesmente pela miséria, pois se apresentam cobertos de andrajos e farrapos, como que empapados de lama, ou embuçados em longos sudários negros, com mantos ou capas que lhes envolvem os ombros e a cabeça (...).(04)
Ensina Léon Denis, em Depois da Morte, que a veste fluídica denuncia a superioridade do Espírito; e como um invólucro formado pelos méritos e qualidades adquiridas na sucessão de suas existências. Opaca e sombria na alma inferior, seu alvor aumenta de acordo com os progressos realizados e torna-se cada vez mais pura. Brilhante no Espírito elevado, ofusca nas almas superiores (...)." (07~;'

TEXTO E EXERCÍCIO
Muitas dessas entidades, porem, se debruçam sobre o nosso ombro e lêem conosco, interessadas, naquilo que estudamos, o que testemunha ser a vida espiritual simples como a nossa própria vida, a continuação desta, tão somente. Temos observado que algumas de tais entidades colocam os óculos a que estavam habituadas, quando encarnadas, para lerem melhor, conosco... Geralmente são, como ficou dito, leituras escolhidas as que fazemos, ou do Evangelho, que projetem com vigor a personalidade e os feitos do Cristo, ou de obras espíritas que melhor toquem o coração. Assim sendo, esses pequeninos e sofredores se afeiçoam ao médium que os ajudou nos dias difíceis e se tornam amigos fervorosos para todo o sempre, estabelecendo-se, então, indissolúveis elos de fraternidade
Há cerca de um ano, pela madrugada, estando nós ainda desperta, apresentou-se à nossa visão um Espirito cujo decesso carnal se teria dado entre os seus trinta e oito ou quarenta anos de idade. Trajava-se pobremente, com terno azul - marinho, já usado, camisa branca também bastante usada, gravata preta, atada com certo desleixo. Esquálido e abatido, infinitamente triste. Mas já resignado à própria condição, colocou a mão sobre a nossa, num gesto fraterno, e disse:
—Venho agradecer-lhe os votos feitos, em minha intenção, à bondade de Deus,.. buas preces me auxiliaram tanto que até minha família, que deixei na Terra, foi beneficiada... Chamo-me Joaquim.., e meu nome está no registro do meu caderno de apontamentos...
Constatávamos, então, que esse visitante fora suicida.. e, materializado, pudemos observar que havia tem em sua indumentária, isto é, impressões da porção de terra em que fora sepultado, assim como sua mente permanecia afeita ao vestuário que habitualmente usava quando vivo, e com o qual fora também para a sepultura. Como, efetivamente, possuímos um caderno onde registramos nomes de suicidas e pessoas falecidas em geral, conhecidos ou colhidos dos noticiários dos jornais, procuramos verificar se realmente existia nos ditos apontamentos aquele singelo nome. E encontramos, de fato, entre os suicidas, um Joaquim Pires; tratava-se, portanto, de um dos destacados dos noticiários dos jornais, recomendado para as preces e as leituras diárias. E estamos certa de que será um bom amigo, cuja afeição nos acompanhará pelo futuro afora...
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Ate o momento presente, os Espíritos mais bem "trajados", e mais belos que tivemos ocasião de observar através de materializações, durante a vigília e também no mundo invisível, por ocasião do desdobramento do corpo astral, foram os que passamos a citar. A entidade que se denominava Charles, martirizado por amor ao Evangelho no século XVI, na França, durante a célebre matança de S. Bartolomeu, comumente se deixa ver em trajes de iniciado hindu, tendo-se mostrado, uma única vez, em trajes de príncipe indiano, visto que no século XVII foi soberano na Índia. Frederico Chopin, que já variou a indumentária quatro vezes em suas aparições, deixando-se perceber, em duas delas, apuradamente trajado à moda da sua época (reinado de Luiz Filipe, na França), mas todo envolto como num luar azul translúcido, como neblina. Vítor Hugo, a quem só podemos distinguir o busto, também envolto em neblinas lucilantes, argênteas, com reflexos azuis pronunciados, sem que pudéssemos destacar o "feitio". dos trajes. A falange de iniciados hindus, de que somos pupila espiritual, com todos os seus Integrantes esforçando-se por serem contemplados em seu "uniforme " característico, as gemas do anel e do turbante inclusive, envoltos em neblinas lucilantes, com reflexos azuis. Lázaro Zamenhof, o criador do Esperanto, vaporoso mas muito humanizado em seu terno do século XX, circundado de um halo como que formado de ondas concêntricas, que indicaria o elevado trabalho intelectual (detalhe também observado em Vítor Hugo), e esbatida a sua configuração perispiritual por um jacto de luz radiosa, verde-claro, igualmente de forma concêntrica. E, finalmente, um vulto muito nobre, observado no ano de 1930, cuja identidade ignoramos, mas a quem denominamos Anjo Guerreiro, pelas particularidades do quadro em que se deixou contemplar. Acreditamos, porem, tratar-se de algum integrante da legião protetora do Brasil, ou do movimento espírita do Brasil. O certo era que trajava uma túnica grega, curta, atada por um cinto dourado; um diadema discreto, um simples friso de ouro, à cabeça, e guiando uma biga romana como que construída de alabastro. Com a destra, empunhava as rédeas, sem que, todavia, aparecessem os cavalos, e, com a sinistra, uma flâmula de grandes dimensões, alvinitente, onde se lia "Salve, Brasil imortal! ‘"
Estampava-se visivelmente, nessa entidade, assim materializada, o tipo oriental, o árabe, evocando também o tipo brasileiro muito conhecido no Estado de Goiás. Era jovem, belo e sorridente, e um luzeiro cor-de-rosa envolvia-o, espraiando-se em torno e se estendendo longamente sobre uma multidão que cantava hosanas e empunhava pequenas flâmulas, multidão que seguia em cortejo atrais da biga. Não nos estenderemos em particularidades quanto a essa visão, por não Julga-la interessante para estas páginas. No entanto, Jamais fomos informada da identidade de tão formoso Espírito, Acrescentaremos, apenas, que sua aparição assinalou etapa definitiva em nossa vida e em nossos labores espiritas.
 

Comumente, os Espíritos se nos apresentam trajados conforme o fizeram durante a existência carnal: os homens, com terno que habitualmente usavam, acentuando este ou aquele detalhe que melhor os identifique; as mulheres, com vestidos que, igualmente, de preferencia usavam. Mais raramente, alguns se deixam ver com a indumentária com que foram sepultados, e ainda outros com os trajes que desejariam possuir, mas que não chegaram a usar. Dois meses após o falecimento de nossa mãe, nós e mais três pessoas da família vimo-la, assistindo a uma reunião de preces em sua intenção, trajando um costume de gabardine azul-marinho, com um "cachecol" de seda quadriculada branca e preta, vestes por ela preferidas para as viagens que fazia em visita aos filhos, nos últimos meses que viveu. Uma tia nossa, a Sra. C. A. S., falecida no interior do Estado de São Paulo, em 1950, cerca de vinte dias após o trespasse apresenta-se à nossa visão , no Rio de Janeiro, dizendo ter vindo visitar-nos, pois se sentia saudosa. Vestia um costume preto, e um véu de rendas negras cobria-lhe inteiramente o corpo, partindo da cabeça e atingindo os pés. Sua configuração perispiritual, como vemos, era chocante. O véu incomodava-a horrivelmente e ela se debatia, aflita e Irritada, tentando em vão retira-lo de si. Agradecemos-lhe a visita e o interesse pela solidão em que vivíamos, pois, na ocasião, asseverou-nos encontrar-se penalizada ante as provações com que nos debatíamos, e convidamo-la a orar, a fim de se poder libertar daquele incomodativo manto , sem que , no entanto, nos fosse possível compreender o que poderia causar semelhante fenômeno. Cerca de um mês mais tarde, porém, soubemos, por pessoa da família presente ao seu funeral, que nossa tia fora sepultada com um costume azul-marinho escuro e um véu de rendas negras cobrindo-lhe o rosto e o corpo, exatamente a mantilha, tipo espanhol, que usava ao assistir a missas e tomar a comunhão, como católica que fora.
Uma filha do espiritista Sr. Antônio Augusto dos Santos, residente em Belo Horizonte, três dias após a morte de sua irmã Elizabete, :menina de catorze anos de idade, viu-a, pela madrugada, no seu próprio quarto de dormir, pairando no ar e trajando um suntuoso vestido de baile, tipo "Imperatriz Eugenia ". Tão feérica a luz que a circundava que, clareando todo o aposento, permitiu à vidente observar detalhes, tais como o desenho das rendas que ornavam o vestido, babados, fitas, flores, etc. Assevera a jovem vidente que o vestido era salpicado de pequenas pérolas, como gotas de orvalho, detalhe por nos também observado em duas das quatro indumentárias perispirituais apresentadas pela entidade Frederico Chopin. Porque seja inspirada e futurosa pintora, a filha do Sr. Antônio dos Santos, no dia seguinte, desenhou, com minúcias, a visão que tivera pela madrugada, dando a ver os detalhes do vestido que a menina morta absolutamente não possuíra quando viva.
Semelhante materialização, espontânea e inesperada, teve o dom de reanimar e consolar os desolados pais da jovem falecida, que se mantinham sucumbidos ante a acerba provação. Referir-nos-emos ainda ao mesmo fato, em capítulo posterior.
De outro modo, Espíritos plenamente espiritualizados, como Adolfo Bezerra de .Menezes e Bittencourt Sampaio, foram por nos distinguidos envergando longa túnica vaporosa, nívea, cintilante, levemente esbatida de azul. O primeiro costuma deixar-se ver, também, trajando avental de médico, com barrete, ao passo que o segundo, isto é, Bittencourt`, a quem uma única vez vimos, em dia de grande provação, há muitos anos, talvez pela sua qualidade de "poeta do Evangelho"., trazia uma coroa de louros, ou de mirto ou carvalho, como os antigos intelectuais gregos e latinos.

Apôs a leitura do texto, responda as seguintes questões:
01. Como justificar a porção de terra existente sobre a indumentária, do Espírito. Joaquim Pires citado no texto?
02. Relatar o tipo de vestimenta dos Espíritos citados no texto.
03. Certos Espíritos apresentam-se vestidos de roupas ou acessórios que os incomodam sem que deles possam se despojar. Justifique a causa desse fenômeno.
04. Pelo que foi ouvido na exposição introdutória pelo que foi lido, responda; :Os trajes dos Espíritos são criações conscientes ou inconscientes deles?
05. Explique a resposta anterior.
(*) PEREIRA, Yvone A. Devassando o Invisível. 4 ed. Rio de Janeiro. FEB, 1978, p. 51-55 .~.

TEXTO E EXERCÍCIO PARA O GRUPO 02
Teríamos que responder, visto que o dever de um médium é revelar com sinceridade, com a consciência voltada para Deus, o realismo do mundo invisível.
— Sim, há Espíritos desencarnados, aqueles que foram homens ou mulheres de baixa condição moral, que se arrastaram em existências consagradas aos excessos carnais, à devassidão dos costumes, que podem, com efeito, aparecer desnudos aos médiuns, revelando mesmo em cenas degradantes, que Ihes foram habituais no estado humano, a degradação mental em que ainda permanecem. E o vidente, cujo compromisso é exatamente esse de se tornar Intermediário entre os dois planos da Vida há de contemplar e revelar, embora estarrecido e contrafeito, o realismo que seus instrutores espirituais Ihe permitem surpreender no Além - Túmulo, para satisfazer aqueles que desejarem informações sobre o palpitante assunto. Todavia, o comum é se apresentarem os desencarnados sob as aparências que mais Ihes agradem. Os fatos mais antigos ai estão, espalhados pelos séculos, atestando que, seja de fluido cósmico universal, de éter sublimado ou de fluido espiritual, de matérias quintessenciadas, de gases ou de vaporizações, ou simplesmente como decorrência de força mental projetada sobre as fibras supersensíveis do perispírito, o certo é que a maioria dos habitantes do Além se deixa ver com roupagens que variam do belo esplendoroso ao miserável e ao horrível.
Também os médiuns espiritas supunham que os desencarnados não se vestissem. Mas, diante do que a sua própria visão constata, que deverão eles afirmar senão o que Ihes dão a ver do mundo invisível ? Isto é, que vêem os Espíritos "trajados " de vários modelos, e que isso é o comum no plano espiritual? E, por vezes, até muito artística e suntuosamente trajados ? Lembremo-nos, então, da admirável resposta de Joana d'Arc
aos seus juízes, tratando de São Miguel, compreendendo que ela, há cinco séculos, não ignorava o que hoje a Doutrina Espírita expõe:
— Pensas que Deus não tem com que vesti-lo?...
Ou seja:
— Sim! Os Espíritos podem vestir-se, servindo-se dos ricos elementos esparsos pelo Universo, aos quais acionam voluntária ou insensivelmente, valendo-se das forças do pensamento e da própria vontade!
Ora, de tudo o que acabamos de observar, e atentos ao que expõem Allan Kardec, Léon Denis, Ernesto Bozzano, William Crookes, e outros, bem ao que os próprios desencarnados são incansáveis em confirmar, extrairemos as seguintes deduções:
1º — Que a mente do Espirito desencarnado cria para sua configuração individual a indumentária que deseja, valendo-se da própria vontade, segundo o próprio gosto artístico, a necessidade, a singeleza dos hábitos, a humildade do caráter e o grau de elevação moral-mental-espiritual, pois o Espírito possui liberdade e aptidões naturais para assim se conduzir.
2º — Que a mente do desencarnado também poderá evocar os hábitos e usos passados, conservar as imagens dos trajes que preferiu, mesmo em existência remota, e imprimi-las na sensibilidade plástica do perispírito, e assim se apresentar aos seus iguais de Além-Túmulo, como aos médiuns, em materializações espontâneas e individuais, ou provocadas para visão coletiva.
3º — Que o Espírito do recém desencarnado poderá padecer o fenômeno de repercussão vibratória dos acontecimentos verificados no corpo carnal, durante a crise do lento desligamento das energias fluídicas que o prendiam àquele, por ocasião do desenlace, sobressaindo no dito fenômeno o detalhe assaz impressionante da natureza da indumentária com a qual o sepultaram, fenômeno este, no entanto, geralmente ocorrido com as entidades muito arraigadas à matéria.
4º — Que o perispírito, cujas essências e propriedades são impressionáveis e, portanto, amoldáveis à ação plástica do pensamento, com uma sutileza indescritível; sendo expansível e contrátil; e exercendo a energia mental, sobre as mesmas propriedades, uma ascendência irresistível, dá-lhe aquela forma que desejar ou que puder, mesmo inconscientemente, mesmo à sua revelia, pois que esse poder mental é natural no ser psíquico, um atributo do Espírito, ainda que este o ignore, tal como a inspiração e a expiração são atributos irresistíveis e quase imperceptíveis da organização físico-material.
5º — Que, possuindo propriedades plásticas tão sutis e melindrosas, e sendo o Espírito arraigado à matéria, não obstante já desencarnado, repercutirão, por isso mesmo, em sua mente, ou no seu perispírito, as impressões mais fortes, ou acontecimentos, que afetem o próprio cadáver, dado que poderosas, transcendentes atrações magnéticas ligam ao corpo carnal o ser espiritual], para a boa marcha da encarnação terrestre, e que, em muitos casos, tais afinidades se prolongam por algum tempo ainda após a morte do envoltório carnal, e até mesmo após a sua total decomposição.
6º — Finalmente, que, a par de tal fenomenologia da mente e da vontade, existem no mundo espiritual elementos, fluidos, essências, gases, energias, matérias mui transcendentais, desconhecidas dos homens e das entidades inferiores e medíocres, as quais, acionadas pela vontade do desencarnado de elevada categoria moral-intelectual, se poderão transfundir em formosas aparências de indumentárias variadas, que ao vidente pareceriam muito concretas ( como realmente o são para o mundo espiritual) , estruturadas em ralos luminosos ou em vaporizações cintilantes.
0s homens, por sua vez, não se trajam, igualmente, com os produtos da própria mente? Porventura a lavoura do linho e do algodão, como a produção da seda; a maquinaria a das fábricas que tecem os seus fios, transformando-os em vistosos brocados e rendas custosas, não foram antes criações mentais para, em seguida, se concretizarem em vestuários ricos a suntuosos ? Quando o homem deseja alindar-se, não é a sua mente a primeira a criar aquilo que ele desejou, para depois ele próprio concretizar esse desejo, na matéria de que dispõe no plano terreno?... E o Universo Infinito, concreto, estável, eterno, não é o produto da Mente Divina? E não herda a Humanidade, do seu Criador, parcelas da Sua Superioridade ?...
Trabalhemos, pois, e vigiemos, para que um dia os produtos da nossa forca mental nos possam glorificar em Vestes de luz, na realidade da vida espiritual...

02
Texto: xerocar da pagina 57 (1° parágrafo) a 60, do livro Devassando o Invisível.
Após a leitura do texto, responda as seguintes questões:
01. Como se apresentam vestidos os Espíritos de baixa condição moral
02. Em que situações os Espíritos podem apresentar-se nus?
03. De sua opinião sobre as deduções a que a autora do texto chegou acerca da vestimenta dos Espíritos?
 

(*) PEREIRA, Yvonne A. Devassando o invisível. 4 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. P. 57 - 60