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PROGRAMA III

ROTEIRO 7

LEI DE PROGRESSO
EVOLUÇÃO E ESTADO DE NATUREZA

OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Conceituar estado de natureza.
2) Explicar qual a finalidade da lei de evolução ( ou de progresso ) e os meios empregados para atingi-la
3) Esclarecer porque o homem não pode regredir.

IDÉIAS PRINCIPAIS
"(...) O estado de natureza é a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu desenvolvimento, intelectual e moral. (...3" (02)
"(...ì O objetivo da evolução, a razão de ser da vida não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente crêem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio do trabalho, do esforço, de todas as alternativas de alegrias e de dor, até que nos tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste. (...)" (053
"(...) A marcha dos Espíritos é progressiva, jamais retrógrada. Eles se elevam gradualmente na hierarquia e não descem da categoria a que ascenderam. Em suas diferentes existências corporais, podem descer como homens, não como Espíritos. (...)" (01)

FONTES DE CONSULTA

01. KARDEC, Allan. 0 Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 194.
02. Op. cit., perg. 776.
03. Op. cit., perg. 778.

COMPLEMENTARES

04. DELLANE, Gabriel. A Evolução Anímica. Trad. de Manuel Quintão. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. Introdução pag. 16-17:
05. DENIS, Léon. Evolução e finalidade da alma. In:- . 0 problema do ser , do destino e da dor. 11. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 119-120.
06. Op. cit., p. 120.
07. Op. cit., p. 122-123.

EVOLUÇÃO E ESTADO DE NATUREZA.

O homem desenvolve sua caminhada evolutiva a partir de um estado primitivo ou estado de natureza. "(...) O estado de natureza e a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu desenvolvimento intelectual e moral. Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu aperfeiçoamento, o homem não foi destinado a viver perpetuamente no estado de natureza, como não o foi a viver eternamente na infância. Aquele estado é transitório para o homem, que dele sai por virtude do progresso e da civilização. (...)" (2)

E necessário que o ser humano desenvolva-se intelectual e moralmente e, através da lei de progresso, regula-se a evolução de to dos os seres, encarnados ou desencarnados, e de todos os mundos do Universo.

O Espírito só se depura com o tempo, pelas experiências que as reencarnações facultam.

"(...) O homem tem que progredir incessantemente e não pode volver ao estado de infância. Desde que progride, é parque Deus assim o quer. Pensar que possa retrogradar a sua primitiva condição fora negar a lei do progresso". (3)

No estado de natureza o homem tem menos necessidades, a sua vida e mais simples e menores são as atribulações. Ele se atem mais à sobrevivência 'e às necessidades fisiológicas. No entanto, "(...) há em nós uma surda aspiração, uma íntima energia misteriosa que nos encaminha para as alturas, que nos faz tender para destinos cada vez mais elevados, que nos impele para o Belo e para o Bem. É a lei do progresso, a evolução eterna, que guia a Humanidade através das idades e aguilhoa cada um de nós, porque a Humanidade são as próprias almas, que, de século em século, voltam para prosseguir com auxílio de novos corpos, preparando-se para mundos melhores em sua obra de aperfeiçoamento.

A lei do progresso não se aplica somente ao homem; é universal. Há, em todos os reinos da Natureza, uma evolução que foi reconhecida pelos pensadores de todos os tempos. (...) Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente. (...) (7)

O homem ascende a planos mais alto através do "(...) trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor (...)" (06)
"(...3 As reencarnações constituem, destarte, uma necessidade inelutável do progresso espiritual. Cada existência corpórea não comporta mais do que uma parcela de esforços determinados, após os quais. a alma se encontra exausta. A morte representa, então, um repouso, uma etapa na longa rota da eternidade. Depois é a reencarnação novamente, a valer um como rejuvenescimento para o Espírito em marcha.
Paixões antigas, ignomínias, remorsos, desaparecem, o esquecimento cria um novo ser, que se atira cheio de ardor e entusiasmo no percurso da nova estrada. Cada esforço redunda num progresso e cada progresso num poder sempre maior. Essas aquisições sucessivas vão alteando a alma nos inumeráveis degraus da perfeição,
Somos, assim, o árbitro soberano de nossos destinos; cada encarnação condiciona a que lhe sucede e, mau grado a lentidão da marcha ascendente, eis-nos a gravitar incessantemente para alturas radiosas, onde sentimos palpitar corações fraternais, e entrarmos em comunhão sempre mais e mais íntima com a grande alma universal - A Potência Suprema(...) (04)

ANEXO 1
MÃOS ENFERRUJADAS

Quando Joaquim Sucuplra abandonou o corpo, depois dos sessenta anos, deixou nos conhecidos a impressão de que subiria incontinente ao Céu. Vivera arredado de mundo, na conforto precioso que herdara dos pais. Falava pouco, andava menos, agia nunca.
Era visto invariavelmente em trajes impecáveis. A gravata ostentava sempre uma pérola de alto preço, pequena orquídea assinalava a lapela, e o lenço, admiravelmente dobrado, caía, irrepreensível, do bolso mirim. 'O rosto denunciava-Ihe o apurado culto às maneiras distintas. Buscava, no barbeiro cuidadoso, cada manhã, renovada expressão juvenil. Os cabelos bem postos, embora escassos, cobriam-lhe o crânio com o esmero possível.
Dizia-se cristão e, realmente, se vivia isolado, não fazia mal sequer a uma formiga. Assegurava, porém, o pavor que o possuía, ante os religiosos de todos os matizes. Detestava os padres católicos, criticava as organizações protestantes e categorizava os espiritistas no rol doe loucos. Aceitava Jesus a seu modo, não segundo o próprio Jesus.
As facilidades econômicas transitórias adiavam-Ihe as lições benfeitoras do concurso fraterno, no campo da vida.
Estudava, estudava, estudava...
E cada vez mais se convencia de que as melhores diretrizes eram as dele mesmo. Afastamento individual para evitar complicações e desgostos. Admitia, sem rebuços, que assim efetuaria preparação adequada para a existência depois do sepulcro. Em vista disso, a desencarnação de homem tão cauteloso em preservar-se, passaria por viagem sem escalas com destino à Corte Celeste.
Dava aos familiares dinheiro suficiente para aventuras e fantasias, a fim de não ser incomodado por eles ; distribuía esmolas vultosas, para que os problemas de caridade não Ihe visitassem o lar ; afastava-se do mundo para não pecar. Não seria Joaquim - perguntavam amigos íntimos - o tipo do religioso perfeito? Distante de todas as complicações da experiência humana, pela força da fortuna sólida que herdara dos parentes, seria impossível que não conquistasse o paraíso.
Contudo, a realidade que o defrontava agora não correspondia à expectativa gerai.
Sucupira, desencarnado, ingressara numa esfera de ação, dentro da qual parecia não ter percebido pelos grandes servidores celestiais. Via-os em movimentação brilhante, nos campos e nas cidades. Segredavam ordena divinas aos ouvidos de todas as pessoas em serviço digno. Chegara a ver um anjo singularmente abraçado a velha cozinheira analfabeta.

Em se aproximando, todavia, dos Mensageiros do Céu, não era por eles atendido.
Conseguia andar, ver, ouvir, pensar. No entanto - desventurado Joaquim! - as mãos e os braços mantinham-se inertes. Semelhavam-se a antenas de mármore, irremediavelmente ligadas ao corpo espiritual. Se intentava matar a sede ou a fome, obrigava-se a cair de bruços, porque não dispunha de mãos amigas que o ajudassem.
Muito tempo suportara semelhante infortúnio, multiplicando apelos e lágrimas, quando foi conduzido por entidade caridosa a pequeno tribunal de socorro, que funcionava de tempos a tempos, nas regiões inferiores onde vivia compungido.
O benfeitor que desempenhava ali funções de juiz, reunida a assembléia de Espíritos penitentes, declarou não contar com muito tempo, em face das obrigações que o prendiam noa círculos mais altos e que viera até ali somente para liquidar os casos mais dolorosos e urgentes.
Devotados companheiros do bem selecionaram a meia dúzia de sofredores que poderiam ser ouvidos, dentre os quais, par último, figurou Sucupira, a exibir os braços petrificados.
Chorou, rogou, lamuriou-se. Quando pareceu disposto a fazer o relatório geral e circunstanciado da existência finda, o julgador obtemperou;
Não, meu amigo, não trate de sua biografia. O tempo é curto. Vamos ao que interessa.
Examinou detidamente e observou, passados alguns instantes :
- Sua maravilhosa acuidade mental demonstra que estudou muitíssimo.
Fez pequeno intervalo e entrou a argüir :
- Joaquim, você era casado T
- Sim.
- Zelava a residências?
- Minha mulher cuidava de tudo.
- Foi pai?
- Sim.
- Cuidava dos filhos em pequeninos?
- Tínhamos suficiente número de criados e amas.
- E quando jovens ?
- Eram naturalmente entregues aos professores.
- Exerceu alguma profissão útil ?
- Não tinha necessidade de trabalhar para ganhar o pão
- Nunca sofreu dor de cabeça pelos amigos?
- Sempre fugi, receoso, das amizades. Não queria prejudicar, nem ser prejudicado.
O julgador interrompeu-se, refletiu longamente e prosseguiu
- Você adotou alguma religião ?
- Sim, eu era cristão - esclareceu Sucupira.
- Ajudava os católicos?
- Não. Detestava-os os sacerdotes.
- Cooperava com as Igrejas reformadas?
- De modo algum. São excessivamente intolerantes.
- Acompanhava os espiritistas?
--Não. Temia-lhes a presença.
-- Amparou doentes, em nome do Cristo?
- A Terra tem numerosos enfermeiros.
- Auxiliou criancinhas abandonadas?
- Ha creches por toda parte.
- Escreveu alguma página controladora?
- Para quê ? o mundo está cheio de livros e escritores.
- Utilizava o martelo ou o pincel?
- Absolutamente.
- Socorreu animais desprotegidos'.
- Não.
- Agradava-Ihe cultivar a terra?
- Nunca.
- Plantou árvores benfeitoras?
- Também não.
- Dedicou-se ao serviço de condução das águas, protegendo paisagens empobrecidas'?
Sucupira fez um gesto de desdém e informou:
- Jamais pensei nisto.
O instrutor indagou-lhe sobre todas as atividades dignas conhecidas no Planeta. Ao fim do interrogatório, opinou sem delongas:
- Seu caso explica-se: você tem as mãos enferrujadas
Ante a careta do interlocutor amargurado, esclareceu :
- É o talento não usando, meu amigo. Seu remédio regressar a lição. Repita o curso terrestre.
Joaquim, confundido, desejava mais amplas elucidações.
O juiz, porém, sem tempo de ouvi-lo, entregou-o aos cuidados de outro companheiro.
Rogério, carioca desencarnado, tipo 1945, recebeu-o de semblante amável e feliz e, após escutar-lhe compridas lamentações, convidou, pacientemente:
- Vamos, Sucupira. Você entrará na fila em breves dias.
- Fila ? interrogou o infeliz, boquiaberto.
- Sim acrescentou o alegre ajudante -, na fila da reencarnação.
E, puxando o paralítico pelos ombros, concluía, sorrindo:
- O que você precisa, Joaquim, é de movimento

* XAVIER, Francisco Cândido. Luz Acima. Pelo espírito Irmão X 4 edição Rio de Janeiro FEB. 1978, pag. 17-21.