Make your own free website on Tripod.com
PROGRAMA V

ROTEIRO 8
 

INTERVENÇÃO DOS ESPÍRITOS NO MUNDO CORPORAL.
INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS NOS ACONTECIMENTOS DA VIDA.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Explicar porque a influência dos Espíritos nos acontecimentos da vida nada tem de sobrenatural.
Analisar a natureza de tais influencias.

IDÉIAS PRINCIPAIS.
"Uma vez que estão no quadro dos da Natureza, os fenômenos espíritas se hão produzido em todos os tempos; mas, precisamente, porque não podiam ser estudados pelos meios materiais de que dispõe a ciência vulgar, permaneceram muito mais tempo do que os outros no domínio do sobrenatural, donde o Espiritismo agora os tira. (...)" (02)
"Os fenômenos espíritas consistem nos diferentes modos de manifestação da alma ou Espírito (...). ~ pelas manifestações que produz que a alma revela sua existência, sua sobrevivência e sua individualidade; julga-se dela pelos seus efeitos; sendo natural a causa, o efeito também o e. (...)" (O3)
Os bons Espíritos exercem influencias nos acontecimentos da vida através de. conselhos, agindo diretamente sobre o cumprimento das coisas, "(...) provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; inspirando a alguém a idéia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto (...)'
(04) Essas ações dos bons Espíritos sempre visam ~o bem.
Os Espíritos levianos e zombeteiros, "(...) Eles se comprazem em vos causar aborrecimentos que representam para vós provas destinadas a exercitar a vossa paciência (...)" (05)
"(...) A experiência demonstra que alguns Espíritos continuam em outra existência a exercer vinganças que vinham tomando e que assim, cedo ou tarde, o homem paga o mal que tenha feito a outrem. (...)" (06)
 

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Caracteres dos Milagres. - O Espiritismo Não faz Milagres. In: -. A Gênese. Trad. de Guillon Ribeiro. 24. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. item 6, p. 262.
02. Op. cit., item 8, p. 263.
03. Op. cit., item 9, p. 264.
04. -. O Limbo dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Questão 525, p. 268.
05. Op. cit., questão 530, p. 269-270.
06. Op. cit., questão 531, p. 27O.
07. Op. cit., questão 532, p. 270-271.

COMPLEMENTAR ES -
08. MARTINS PERALVA. Benfeitores. In: O Pensamento de Emmanuel. 2 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p.150.
09. -. Sintonia. In: - . O Pensamento de Emmanuel. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p. 233.
10. XAVIER, Francisco Cândido. Sintonia. In: -. Roteiro. Ditado polo Espirito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1978. p. 119.

INTERVENÇÕES DOS ESPÍRITOS NOS ACONTECIMENTOS DA VIDA

"(.,,) Imaginamos erradamente que aos Espíritos só caiba manifestar sua ações por fenômenos extraordinários. Quiséramos que nos viessem auxiliar por meio de milagres e os figuramos sempre armados de uma varinha mágica. Por não ser assim é que oculta nos parece a intervenção que têm nas coisas deste mundo e multo natural o que se executa com o concurso deles.
Assim é que, provocando, por exemplo, o encontro de duas pessoas, que suporão encontrar-se por acaso; Inspirando a alguma idéia de passar por determinado lugar; chamando-lhe a atenção para certo ponto, se disso resulta o que tenham em vista, eles obram de tal maneira que o homem crente de que obedece a um impulso próprio, conserva sempre o seu livre-arbítrio '' (04)
Os Espíritos exercem influência sobre os encarnados quer aconselhando-os quer agindo diretamente sobre os acontecimentos da vida, porem "(...) nunca atuam fora das leis da Natureza (...)." (04)
" Já não sendo o mesmo que no estado de encarnação o meio em que atuam os Espíritos e os modos por que atuam, diferentes são os efeitos, que parecem sobrenaturais unicamente porque se produzem com o auxilio de agentes que não são os de que nos servimos Desde, porém, que esses agentes estão na Natureza e as manifestações se dão em virtude de certas leis, nada há de sobrenatural, ou de maravilhoso. (...)(01)
"(. . .) Uma vez que estão no quadro dos da Natureza, os fenômenos espíritas se hão produzido em todos os tempos; mas, precisamente, porque não podiam ser estudados pelos meios materiais de que dispõe a ciência vulgar, permaneceram muito mais tempo do que outros no domínio do sobrenatural, donde o Espiritismo agora os tira.(...) "(02)
"(...) Os fenômenos espiritas consistem nos diferentes modos. de manifestação da alma ou Espirito, quer durante a encarnação, quer no estado de erraticidade. É pelas manifestações que produz que a alma revela sua existência, sua sobrevivência e sua individualidade; " julga-se dela pelos seus efeitos; sendo natural a causa, o efeito também o é. (...)" (03)
A influência, dos Espíritos nos acontecimentos da vida pode ser boa e má. Os Espíritos Superiores só fazem o bem. Os Espíritos levianos e zombeteiros se comprazem em causar aborrecimentos, os quais devem ser entendidos como provas para a nossa paciência. Os Espíritos imperfeitos, incapazes de perdoar qualquer mal que lhe tenham feito, continuam, após a desencarnação "(...) a exercer as vinganças que vinham tomando (...)' (06); esta aí a causa de muitas obsessões tão conhecidas no meio espirita.
"(...) Aprende-se em Espiritismo que, embora a nossa disposição constitua substancial fator no sentido de neutralização da influência que os adversários dos dois planos nos movem, a intercessão benfeitora e indiscutível, real e valiosíssima no trabalho de anulação das forças desequilibradas e perturbadoras que rondam e ameaçam quantos se proponham a crescer em espirito (...)." (08)
"(...) Espíritos benfazejos procuram inspirar-nos para o Bem. Espíritos inferiorizados buscam induzir-nos ao Mal (...).
Os primeiros, cumprem missão renovadora, junto à Humanidade (...).
São Missionários do Amor.
Os segundos, influenciam em sentido contrário Na indução para mal, não - cumprem missão (...),
São os instrumentos da sombra (...)".(09)
É conveniente ressaltar, porem, que a maioria dos males que nos acontecem dependem de nós mesmos evitá-los, quando menos, atenuá-los. Isto porque Deus nos deu inteligência para dela nos servirmos e através dela obter o auxilio dos Espíritos Superiores. (07)
Para que um Espirito, bom ou mau, influencie e interfira nos acontecimentos da vida, foi preciso ter havido sintonia com ele. E "as bases de todos os serviços de intercâmbio, entre os desencarnados e encarnados, repousam na mente, não obstante as possibilidades de fenômenos naturais, no campo da matéria densa, levados a efeito por entidades menos evoluídas ou extremamente consagradas à caridade sacrificial
( )." (10)

ANEXO

TEXTO PARA ESTUDO EM GRUPO
André Luiz nos relata em E a Vida Continua... as dores e alegrias de dois personagens da obra, Evelina Serpa e Ernesto Fantini, que retornam, como Espíritos desencarnados, ao reduto familiar deixado na Terra.
A visita desses Espíritos aos familiares, após dois anos de morte física é caracterizado por um doloroso drama humano quando Evelina revê o marido - Caio Serpa - em comunhão afetiva com Vera Celina, a mesma jovem que o afastara dos deveres conjugais, antes mesmo da sua desencarnação. O drama de Evelina é maior quando percebe que a jovem que se interpôs entre ela e o marido e a filha querida do fiel amigo Ernesto Fantini. Mais tarde, numa demonstração de renuncia e sublimação do amor pelo marido deixado na Terra, Evelina o influencia espiritualmente, a fim de que ele, Caio Serpa, ampare a jovem, casando-se com ela.
O fato a seguir, se passa num cemitério por ocasião da morte física de Elisa Fantini, a genitora de Vera Celina:

Não podia perceber que Evelina, em espírito, ali estava, rente a ele, diligenciando acordá-lo para a verdade.
- Caio, que fazes da vida ? - Ela perguntou, docemente.
O advogado não registrou a indagação com os tímpanos corpóreos, mas ouviu-a na acústica da alma e julgou monologar: " Caio, que fazes da vida ?! "Repetiu, inconscientemente, as palavras da companheira desencarnada, no ádito da própria consciência, e passou a considerar que o tempo fugia sem que se desse conta de si mesmo... Em que valores permutara o patrimônio das horas? Em que recursos convertia a saúde e o dinheiro ? que bênçãos já teria espalhado com o título acadêmico que ostentava ? Na condição de amigo, exterminara um companheiro, na posição de esposo, não tivera coragem de ser bom para a mulher, quando sitiada pela doença !
O olhar se lhe esbarrou, sem querer, no ritual do sepultamento de Elisa e inquiriu, de si mesmo, o que teria representado para a morta... Sinceramente, não se sentia bem consigo próprio, realinhando na imaginação a impaciência e a dureza com que sempre a tratara, preocupado em arrebatar-lhe a ternura da filha...
Avaliando as péssimas notas que a consciência, embora de longe . fixou Vera, a esquadrinhar-lhe o íntimo, através do semblante.
- Caio - assoprou-lhe Evelina aos ouvidos da alma - , pense nos teus compromissos... É tempo de legalizar a situação da jovem que se entregou a ti sem qualquer restrição...
Convencido de que conversara de si para consigo, Serpa reproduziu a interpelação, no campo mental. Em silêncio, sem perceber que a esposa desencarnada lhe colhia as respostas. Supondo desenvolver tão somente um processo de autocrítica, monologou sem palavras: " legalizar a situação com Vera ? casar-me? Porque ? ".
Sim, aprovava, prometera-lhe matrimônio, mas não se resignava a aceitar a medida sem maior observação. Já fora homem preso a obrigações de marido e não se propunha a retomar a afeição recheada a constrangimentos. Alem disso, matutava, dava-se por homem robustecido na experiência do mundo. Escutara em sociedade muitas referencias desprimorosas, ao redor da filha de Elisa, que não a recomendavam para esposa. De rapazes diversos, obtivera apontamentos que Ihe enodoavam a ficha de mulher. Porque entregar seu nome a uma criatura tida por inconstante ?
— Caio, quem és tu para julgar?
A interrogação de Evelina percutiu na alma dele em forma de idéia fulgurante que o enterneceu e assustou...
E qual se pensasse em voz alta, a falar espiritualmente para si próprio, recebia novas exortações, semelhando impactos da verdade a Ihe atingirem o ádito do próprio ser:
— Caio, quem és tu para Julgar ? não és igualmente de ti mesmo, alguém onerado com débitos escabrosos perante a Lei ? a que título, condenar sumariamente uma Jovem, prejudicada pelos enganos da sua condição de menina moralmente desamparada?!. . .
Na base das advertência que Ihe eram endereçadas, prosseguia indagando-se... Seria justo abusar dela agora que se via praticamente só no mundo? se a desprezasse, para onde iria ? E quem era ele, Caio Serpa, senão um homem no rumo da madureza, reclamando a dedicação de alguém para que o comboio da vida se não Ihe descarrilasse ? Conhecia ele toda a escala dos prazeres físicos e que lucrara finalmente com isso, se levava toda manifestação afetiva para o terreno da Irresponsabilidade e do abuso ? que recolhera senão cansaço e desilusão das noitadas barulhentas. cheias de vozes e vazias de sentido? até ali, que lembrasse, nunca ajudara a ninguém. Sabia ser afável até o ponto em que as circunstancias não o descontentassem. Bastava porém, um ponto, um leve ponto a contrariá-lo, em quaisquer acontecimentos, para que se internasse nessa ou naquela escapatória no claro intuito de não se incomodar. Não teria chegado o momento de auxiliar a outrem, agir a favor de alguém? De começo, empenhado à conquista , cumulara Vera de gentilezas. carinhos. Enredara-lhe as atenções. Depois, o fastio daqueles que não mais sabem amar, quando a chama do desejo se Ihes extingue na candeia da forma. Entretanto, não lhe era licito negar que a moça Ihe dera os mais altos testemunhos de confiança. Vera Celina se Ihe entregara, de todo. E, por fim, não vacilara humilhar a própria genitora, a fim de colocar-lhe nas mãos todos os bens...
Serpa registrava todos os argumentos da companheira desencarnada, à feição de urna lâmpada que se julgasse fonte da luz de que se beneficia, a ignorar que a recolhe da usina.
E opunha contraditas:
—Consorciar-me? prender-me? porquê? não tenho toda a satisfação do homem casado, sem as pelas do matrimônio 7
E a voz de Evelina a ressoar-lhe novamente no espirito:
—Sim, és o elemento - comando da união; entretanto, como não te garantires contra as tentações do futuro, como não te imunizares contra as tuas próprias inclinações para a aventura, doando a ela — o elemento obediência —a tranqüilidade de que carece para servir-te? Acaso te Julgas livre das tendências à leviandade que te assinalam o campo afetivo? Não será recomendável Ihe assegures a paz, preservando a paz de ti mesmo, pela submissão às disciplinas justas da vida? Pensa! Imagina-te à frente de tua própria mãesinha, Já que quase todo homem procura na esposa, acima de tudo, o apoio maternal que a madureza furtou da infância... Estimarias que um homem, na hipótese o teu próprio pai, Ihe espancasse os mais puros anseios do coração? Porventura não se tornaria ela mais digna do teu amparo e do teu carinho, se a visses brutalizada. desamparada, esquecida por aquele mesmo a quem se rendeu confiante ? porque alegares sofrimentos passados para menoscabar a criatura que amas, se semelhantes provações fazem dela alguém com mais acentuada necessidade de tua proteção e entendimento
Das admoestações propriamente consideradas, a ex-senhora Serpa se transferiu para reflexões de otimismo e esperança:
— Calo, medita!..., Vera não te confiou parcos recursos materiais à administração! Dispões de patrimônio apreciável para organizar uma família... Pondera quanto às bênçãos do futuro! Escuta! Creias ou não em Deus e na sobrevivência do espírito, alem da morte, carrega contigo um doloso problema, até agora inarredável da mente: o remorso pelo homicídio praticado, a lembrança de Túlio Mancini, abatido por tuas mãos! Escapas, no rumo de prazeres que não te diminuem a mágoa, e tentas, em vão, bloquear reminiscências amargas que te assediam constantemente... Ser pai, cuidar de filhos queridos, não te será na Terra a mais elevada compensação ? O matrimonio com Vera te Investirá legalmente na posse de recursos a serem valorizados e aumentados, garantindo, aos filhinhos vindouros, segurança e conforto, alegria e educação! ...
Um lar, Caio! . . . Um lar, onde possas descansar, renovar-te, esquecer! . . . Filhos em que te revejas e o convívio de Vera, cuja presença te lembrará o refúgio maternal! . . .
Diante daquelas santas evocações de paz e venturas que jamais experimentara, pela primeira vez, depois de muitos anos, Serpa chorou...
Evelina continuava:
— Sim, .- Caio, lava o coração na corrente das lágrimas! . . Chora de esperança, de júbilo! Confiemos em Deus e na vida!... o Sol que hoje se põe, voltará amanhã! Contempla estas lousas, fita os sepulcros afrente! De todos os lados, explodem verdura e flor, a dizerem que a morte é ilusão, que a vida triunfa, bela e eterna! ... De um outro mundo, os que te amam regozijar-se-ão com os: teus gestos de entendimento' Túlio te perdoará, Elisa há de abençoar-te! ... Coragem, coragem! . . .
O causídico, surpreso, incapaz de identificar-se visitado pelo espirito da companheira de outros tempos, reconhecia-se subitamente consolado e eufórico, tangido por suave renovação, nos recônditos do ser.
A maneira de um doente que encontrara o remédio providencial e a ele se agarrasse, na sede da própria cura, instintivamente decidiu-se a não perder o precioso momento de exaltação construtiva em que entrara.
—Vamos!... —insistiu Evelina — concede agora. mas claramente agora, a nossa Vera a certeza de que a protegerás num casamento digno! . . .
Sucedeu o inesperado.
Habitualmente agressivo e rebelde, Caio Serpa arrancou-se, humilde, do lugar em que se plantara, avançou sempre abraçado pelo espirito da ex-esposa, na direção do grupo em que a jovem se apoiava... Ali, de pensamento conjugado ao da mensageira espiritual, observou a moca sob novo prisma. Pareceu-lhe que começava a ama-la de maneira diversa. Viu-a mais cativante na dor que demonstrava, percebeu-lhe a solidão e a sede justa de companhia. As súbitas, reconheceu-se também só, a requisitar-lhe mais intensivamente a dedicação e o carinho para viver.
Já não sabia, naquele inolvidável instante, se a queria com a impertinência de um homem ou com a ternura de um pai...
Abordando-a, tomou-lhe o braço, de leve, e comunicou-lhe, em voz alta, no propósito de alicerçar a própria declaração com o testemunho dos amigos presentes:
—Vera, não chore mais... Você não está sozinha! Amanhã mesmo, cogitaremos de organizar a documentação precisa para casar-nos tão breve quanto possível! ...