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PROGRAMA II

ROTEIRO 11

JUSTIÇA DIVINA
PENAS E GOZOS FUTUROS: DURAÇÃO DAS PENAS.

OBJETIVOS BÁSICOS
Conceituar céu e inferno de acordo com os ensinamentos espíritas.
Explicar o sentido de penas e recompensas com base no "Código Penal da Vida Futura", de Allan Kardec
(~0 Céu e o Inferno", 1ª parte, cap. 7)

IDÉIAS PRINCIPAIS.
"Nessa imensidade ilimitada, onde está o céu? Em toda parte: Nenhum contorno lhe traça limites. Os mundos adiantados são as ultimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam. (...)" (1)
"O dogma da eternidade absoluta das penas e, (...) incompatível com o progresso das almas, ao qual opõe uma barreira insuperável. (...) Segundo a Doutrina Espirita (...) o homem e o filho de suas obras, durante esta vida e depois da morte, nada devendo ao favoritismo: Deus o recompensa pelos esforços e pune pela negligência, isto por tanto tempo quanto nela persistir." (2) -
O código penal da vida futura, de Allan Kardec, "(...) pode resumir-se nestes três princípios:
1ª - O sofrimento é inerente à imperfeição.
2ª - Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis. (...)
3ª - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade. ( )" (5) -

BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. O céu. In. O céu e o inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 18, 1a parte.
02. Doutrina das penas eternas. In: . O céu e o inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 item 21, 1a parte.
03. As -penas futuras segundo o Espiritismo. In: . O céu e o inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982 tens 1° - 5°, p. 90-9l.
04 Op. Cit. Itens 11º, 16°, 17°, p. 92-94.
05. Op. Cit. Itens 33°, p. 100-101 '
06. O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Perg. 1014.

COMPLEMENTAR ES
07. XAVIER, Francisco Cândido. Céu. In: . Justiça divina. Pelo Espirito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 66.
08. . Corrigir e pagar. In: Justiça divina. Pelo Espírito Emmanuel. 4. ed. Rio de Janeiro,' FEB, 1080. p. 104.
 

JUSTIÇA DIVINA
O conceito de céu e de inferno sofreu grande transformação com o advento da Doutrina Espírita. Não se traduz mais por regiões circunscritas de beatifica felicidade ou de sofrimentos atrozes e eternos,. respectivamente.
'"(...)De existência a existência, entretanto, aprendemos hoje que a vida se espraia, triunfante, em todos os domínios universais do sem fim; que a matéria assume estados diversos do fluidez e condensação; que os mundos se multiplicam Infinitamente no plano cósmico; que cada espírito permanece em determinando momento evolutivo, e que, por isso, o céu, em essência, é um estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um (...) ' (7)
"(...) Inferno se pode traduzir por uma vida de provações extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor. (...)"(6)
Portanto, a felicidade ou infelicidade após a desencarnação é inerente ao grau de aperfeiçoamento. moral de cada Espírito e, também, a categoria de mundo que habita. As penas ou sofrimentos que cada um experimenta são dores morais e estão em relação com os atos praticados. Não existe, pois, uma recompensa ou sofrimento gratuito, obtido sem mérito, mas manifestado através da Lei de Causa e Efeito
'`(...) A alma ou Espirito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.
(...)A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos.
(...)Não há uma única imperfeição da alma que não importe em funestas e inevitáveis conseqüências, como não há uma só qualidade boa que não seja fonte de um gozo,
A soma das penas é, assim, proporcionada à soma das imperfeições, como a dos gozos a das qualidades.(...)
(...) Em virtude da lei do progresso que dá a toda alma a possibilidade de adquirir o bem que lhe falta, como de despojar-se do que tem de mau, conforme o esforço e vontade próprios, temos que o futuro é aberto a todas as criaturas. Deus não repudia nenhum de seus filhos, antes recebe-os em seu selo a medida que atingem a perfeição, deixando a cada qual o mérito das suas obras. ( ...)
(...)O inferno está por toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde houver alma(...)(3)

A cada espirito Deus faculta meios de melhoria, oferecendo em cada reencarnação um planejamento coerente, de amor e justiça, onde cada um terá chances de progredir e de expiar as faltas cometidas em existências anteriores. " (...) A expiação varia segundo a natureza e gravidade da falta, podendo, portanto, a mesma falta determinar expiações diversas, conforme as circunstâncias, atenuantes ou agravantes, em que for cometida.(...)
O arrependimento, conquanto sela o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação.
Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrario, o perdão seria uma graça, não uma anulação.
O arrependimento pode dar-se por toda parte e em qualquer tempo; se for tarde, porém, o culpado sofre por mais tempo. (...)
(...)A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se havia feito o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade, achar-se-á numa existência ulterior em contato com as mesmas pessoas que de si tiverem queixas, e em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito(...)(4)
Compreendendo, assim, o significado de penas e recompensas, devemos nos esforçar para reparar as faltas cometidas em vidas anteriores e aproveitar ao máximo a experiência na carne, buscando incessantemente o progresso moral.
(...) Toda conquista na evolução é problema natural do trabalho, porque todo progresso tem preço; no entanto, o problema crucial que o tempo te impõe é débito do passado, que a Lei te apresenta à cobrança
Retifiquemos a estrada, corrigindo a nós mesmos.
Resgatemos nossas dividas, ajudando e servindo sem distinção.
Tarefa adiada é luta maior e toda atitude negativa, hoje, diante do mal, será juro de mora no mal de amanhã (8)
Concluindo, "em que pese a diversidade de gêneros e graus de sofrimentos dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura ( elaborado por Allan Kardec com base nos ensinamentos dos Espíritos- Superiores)
pode resumir-se nestes três princípios:
1.°—O sofrimento é inerente à Imperfeição,
2.°—Toda Imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e Inventáveis: assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que haja mister de uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.
3.°—Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode Igualmente anular os mates consecutivos e assegurar a futura felicidade.
A cada um segundo as suas obras, no Céu como na Terra: —tal é a lei da Justiça Divina."(5)

ANEXO
Em matéria de prêmio e castigo, a se definirem por céu e inferno, suponhamo-nos à frente de um pai amoroso, mas justo, dividindo a sua propriedade entre os filhos, aos quais se associa, abnegado, para que todos eles se prestigiem e cresçam, de maneira a lhe desfrutarem os bens totais.
O genitor, compassivo e reto, concede aos filhos, em regime de gratuidade, todos os recursos da fazenda
Divina:
a vestimenta do corpo;
a energia vital;
a terra fecunda;
o ar nutriente;
a defesa do monte;
o refúgio do vale,
as águas circulantes;
as fontes suspensas:
a submissão dos vários reinos da natureza;
a organização da família:
os fundamentos do lar;
a proteção das leis;
os tesouros da escola;
a luz do raciocínio;
as riquezas do sentimento;
os prodígios da afeição;
os valores da experiência;
a possibilidade de servir...
Os filhos recebem tudo isso, mecanicamente, sem que se lhes reclame estorço algum, e o pai apenas lhes pede para que se aprimorem, pelo dever nobremente cumprido, e se consagrem ao bem de todos, através do trabalho que lhes valorizará o tempo e a vida.

Nessa Imagem, simples embora, encontramos alguma notícia da magnitude do Criador para nós outros, as criaturas.
Fácil, assim, perceber que, com tantos favores, concessões e doações, facilidades e vantagens, entremeados de bênçãos, suprimentos, auxílios, empréstimos e moratórias, o céu começará sempre em nós mesmos e o inferno tem o tamanho da rebeldia de cada

XAVIER, Francisco Cândido. Céu e inferno. In: . Justiça divina. Pelo Espírito Emmanuel. 4ª ed.. Rio de Janeiro, FEB, 1980. p. 143-5Z4.