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PROGRAMA VI

ROTEIRO 11

RELAÇÃO DA CRIATURA COM O CRIADOR
AMOR A DEUS , ADORAÇÃO, VIDA CONTEMPLATIVA.

OBJETlVOS ESPECÍFlCOS
Dizer em que consiste a adoração a Deus.
Esclarecer como pode o homem, ao desenvolver o conhecimento sobre Deus, amá-lo mais.
Estabelecer os limites da vida contemplativa.

lDÉlAS PRlNClPAlS
A adoração consiste "(...) na elevação do pensamento a Deus (...)". (01)
"(...) Em todas as épocas, todos os povos praticaram a seu modo, atos de adoração a um Ente Supremo, o que demonstra ser a idéia de Deus inata e universal. (...)" (06)
"(...) A medida que se amplia o conhecimento da Natureza, faz-se necessário desenvolver a concepção do seu Autor. (...)" (12)
"(...) Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus.(...ì" (05)

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Da Lei De Adoração. In: . O Livro dos Espíritos. Trad. de Guillon Ribeiro. 57. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. Questão 649, p. 316.
02. Op. cit., Questão 651, p. 316.
03. Op. cit., Questão 652, p. 316.
04. Op. cit., Questão 653 e 654, p. 317 e 318
05. Op. cit., Questão $57, p. 318.

COMPLEMENTARES
06. CALLIGARIS, Rodolfo. Como Adorar a Deus? In: . As Leis Morais. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. p. 46.
07. DENIS, Léon. O Grande Enigma. In: . O Grande Enigma. s/ tradutor. 7. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. p. 25.
08. Op. cit., p. 28.
09. Op. cit., p. 41 (Solidariedade; comunhão universal)
10. Op. cit., p. 43.
11. Op. cit., p. 69 e 70 (Necessidade Da Idéia De Deus)
12. FLAMMARION, Camille. Deus. In: . Deus na Natureza. Trad. De Manuel Quintão. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1979. p. 392.
13. UBALDI, Pietro. Em Busca De Deus. In: . Deus E Universo. Trad. de Dr. Arlindo Salzano e Cap. Adauto Fernandes de Andrade. São Paulo, LAKE, s/ data. p. 292.
14. Op. cit., p. 296.
15. Op. cit., p. 316 e 317.
16. . Conceito de criação. In: . A Grande Síntese. Trad. De Guillon Ribeiro, Rio de Janeiro, FEB, 1939. p. 201.

ADORAÇÃO A DEUS

"(...) A questão de Deus é o mais grave de todos os problemas suspensos sobre as nossas cabeças e cuja solução se liga, de maneira estrita, imperiosa, ao problema do ser humano e de seu destino, ao problema da vida individual e da vida social.
O conhecimento da verdade sobre Deus, sobre o mundo e a vida é o que há de mais essencial, de mais necessário, porque é Ele que nos sustenta, nos inspira e nos dirige, mesmo à nossa revelia (...)". (11)
"(...) Deus é o Espírito de Sabedoria, de Amor e de Vida, o Poder infinito que governa o mundo (...)". (09)
Diz-nos Pietro Ubaldi que Deus é infinito e, só gradualmente conseguiremos entender a essência da Sua manifestação, quando do desenvolvimento das nossas capacidades perceptivas e conceptuais for-mos aprendendo a penetrar na profundidade das coisas. (16) "(...) Deus é o princípio (...); é o absoluto, o infinito, o eterno (...)" (16) que, perante nossa visão, está dissolvido no "(...) relativo, no finito, no progressivo. Deus é conceito e matéria, princípio e forma , causa e efeito, conjugados intimamente, (...)". (16)
É realmente maravilhoso que Espíritos ainda em acanhada evolução, tal como a nossa, ou mesmo aqueles em primeiras experiências, tenhamos concebido, desde sempre, a certeza da existência de um Ser Superior que a tudo governa. E a idéia inata de Deus que todos temos.
De início esta idéia é vaga e muito abstrata. Com a evolução constante, através de inúmeras experiências reencarnatórias, aprendemos ver a Deus de uma maneira diferente.
A sabia Natureza limitou nossas percepções e nossas sensações. É degrau a degrau que ela nos conduz no caminho do saber. É lentamente, trecho por trecho, vidas depois de vidas, que ela nos leva ao conhecimento do Universo, seja visível, seja oculto. O ser sobe, um a um, os degraus da escadaria gigantesca que conduz a Deus (08)
E, assim, de uma idéia primitiva de Deus, chegamos a um entendimento mais dilatado e superior. Neste instante, "(...) Deus, tal qual o concebemos, não ë, pois, o Deus do panteísmo oriental, que se confunde com o Universo, nem o Deus antropomorfo, monarca do céu, exterior ao mundo, de que nos falam as religiões do Ocidente. Deus é manifestado pelo Universo de que e a representação sensível mas não se confunde com este.
E esse grande Ser, absoluto, eterno, que conhece as nossas necessidades, ouve o nosso apelo, nossas preces, que é sensível as nossas dores, é qual o imenso foco em que todos os seres, pela comunhão do pensamento e do sentimento, vêm haurir forças, o socorro, as inspirações necessárias para os guiar na senda do destino, para os suster em suas lutas, consolar em suas misérias, levantar em seus desfalecimentos e em suas quedas. (...)" (07)
Se a idéia de Deus é inata no ser humano, a afirmação contida em O Livro dos Espíritos, questão 651, é absolutamente correta: "(...) Nunca houve povos de ateus. Todos compreendem que acima de tudo há um Ente Supremo. (...)" (02) O homem que nega a Deus encontra-se, transitoriamente, envolvido pelo manto da ignorância. E para esse homem imerso nas trevas, temos a dizer: "(...) desperta e sentirás que Deus está a teu lado, está dentro de ti., é a tua vida, a vida de tudo. Esta é a grande revelação, (...) e que a ciência mesmo nem de leve está em grau de conceber: descobrir a própria imortalidade, o divino que está em nós e com ele aprender a viver eternamente; despertar a própria consciência (...), para compreender que somos filhos de Deus, incomensuravelmente amados por Ele (...)". (13)
A concepção da paternidade divina traz benefícios enormes ao Espírito. "(...) Vindas de Deus, todas as Almas são irmãs; todos os filhos da raça humana são unidos por laços estreitos de fraternidade e solidariedade
Da paternidade de Deus decorre a fraternidade humana; todas as relações que nos ligam unem-se a esse fato Em decorrência desses conhecimentos passa-se a entender e a justificar a adoração que os homens devem ter para com o seu Criador.
Adorar, consiste "(...) na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma. (...)'~ (01)
A adoração está, pois, "(...) na lei natural, pois resulta de um sentimento inato no homem. Por essa razão é que existe entre todos os povos, se bem que sob formas diferentes. (...)" (03)
Espíritos mais evoluídos adoram a Deus em espírito. Espíritos menos adiantados necessitam, neste ato e adorarão, de manifestações exteriores, como as existentes nos cerimoniais e nos rituais religiosos.
(04)
Voltando a Pietro Ubaldi, em "Deus e o Universo", "(...) o atual homem comum esta tão habituado a conceber qualquer manifestação do ser somente na sua extrema forma exterior e sensória, está tão convencido de que esta é a realidade e toda a realidade, que quando deseja orar a Deus, projeta de Ele uma imagem material, a que ele poderia formar de Deus, e a adora. Ela não e mentira consciente. É uma tradução da linguagem espiritual, que lhe ë incompreensível, em uma linguagem concreta, a ele acessível. Assim ele pode ver e tocar as imagens de Deus. Esta é uma ingênua necessidade de involuídos, que não conseguem pensar e orar a não ser com o corpo, e com os sentidos. (...)" (14)
Adorar a Deus em espírito representa elevada conquista evolutiva. "(...) a evolução leva cada vez mais a sentir Deus, não apenas transcendente, mas também imanente. O indivíduo espiritualizado acabará por sentir a presença de Ele não somente em si, mas em torno de si. Então se descobrirá que Deus está em toda parte, que o Seu templo é o universo e a alma e que o Seu altar pode ser o coração do homem (...)". (15)
Este alto grau de identidade do filho com o Pai, da criatura com o Criador nós encontramos em Jesus quando ele diz: "(...3 crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim (...)" (João, 14:11).
Como conseqüência do ato de adoração, muitos homens se afastam do mundo, vivendo isolados, em vida contemplativa.
Nenhum mérito traz a vida contemplativa às pessoas; "(...) porquanto, se é certo que não fazem o mal, também o é que não fazem o bem e são inúteis. Demais, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que o homem pense nele, mas não quer que só nele pense, pois que lhe impôs deveres a cumprir na Terra. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida toda pessoal e inútil à Humanidade e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito (...)". (05)
Há momentos na vida que se faz necessário a prática da meditação. São momentos breves, dentro do cotidiano da nossa existência. Momentos de acomodação interior, quando, em prece, elevando o nosso pensamento a Deus, passamos a refletir nos acontecimentos e lições da própria vida. Isto não significa, porém, afastamento da comunidade onde vivemos, abandono das nossas lutas e provas. Ao contrário, é mais uma atitude de aproximação com o Pai de quem receberemos o suprimento de forças para continuar a caminhada evolutiva. A meditação, assim colocada, é necessária nessa época de grande transição que vivemos; agora, a meditação mística que distancia o homem dos seus semelhantes, a traduzir-se em atitudes contemplativas, sempre será inútil para qualquer um.
 

ANEXO I

DEUS

Largos anos passei, ai no mundo,
A pensar, meditando na existência
De Deus o Ser de paz e de clemência,
Fonte de todo o amor puro e fecundo.

Eu fiz, m.a sua busca, estudo fundo
Através toda a humana consciência,
E dos ínvios caminhos da Ciência
Pela Terra, no Mar, no Céu profundo.

Bem desejava achá-lo, amá-lo e vê-lo,
E servi-lo, adorá-lo e conhecê-lo,
Em doce crença inalterável, viva.

Mas não o vi jamais, porque, mesquinho,
Enveredei ai por mau caminho:
O trilho da ciência positiva.

I I

Eu devia buscá-lo onde Ele mora :
Na suma perfeição da Natureza,
E no esplêndido encanto e na beleza,
Do Céu, do Mar, da Luz, da' Fauna, e Flora.

Eu podia encontrá-lo em cada hora
Nessa vida : no Amor, e na Pureza,
Na Paz e no Perdão, e na Tristeza,
E até na própria Dor depuradora.

Mas eu andava cego e nada via;
E a Vaidade escolheu para meu guia
A Ciência falaz, enganadora!

Se o guia fosse a Fé ou a Bondade,
Vê-lo-ia dai na Imensidade,
Como, em verdade, O vejo em tudo agora.

Anthero de Quental.

LACERDA, Fernando de. Do País da Luz. 4. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1984. p. 222-223.
 

ANEXO I I

SUGESTÕES DE QUESTÕES PARA A DISCUSSÃO CIRCULAR,

01. O que é adoração a Deus?
02. Como se caracteriza a adorarão nos Espíritos pouco adiantados", E nos evoluídos?
03. Ainda existe adoração através de manifestações exteriores (ritualísticas). Isto é necessário? Sim ou não? Por quê?
04. Como pode o homem desenvolver o seu conhecimento (e consequentemente e o seu amor) a Deus?
05. Por que Jesus revelou um perfeito entendimento com Deus ao dizer: eu e o Pai somos uno?
06. por que a adoração faz parte da Lei Natural ou Divina?
07. A vida contemplativa traz benefícios ao homem? Justifique a resposta.
08. Quando se faz necessário a meditação?