Make your own free website on Tripod.com
PROGRAMA III

ROTEIRO 20

LEI DE CONSERVAÇÃO
PRIVAÇÕES VOLUNTÁRIAS

OBJETIVOS ESPECÍFICOS.
1) Conceituar privação voluntária.
2) Citar as privações voluntárias meritórias ao progresso individual.
3) Tecer comentários acerca da importância ou não da alimentação animal para o homem.

IDÉIAS PRINCIPAIS.
HÁ privações voluntárias que são meritórias, "(...) porque desprende da matéria o homem, e lhe eleva a alma Meritório é resistir à tentação que arrasta ao excesso ou ao gozo das coisas inúteis; é o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante. (...)" (02)
."Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que lhe não prejudique a saúde. (...)" (04)
A alimentação animal não é contrária ã lei da Natureza por que "dada a (...) constituição física, a carne alimenta a carne, do contrario o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização." (05)

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS

01 - KARDEC, Allan. Bem-aventurados os aflitos. In O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983. item 26, pag. 126.
02 - O Livro dos Espíritos Trad. Guillon Ribeiro, 57 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1983, perg. 720.
03 - Op. cit. perg. 721.
04 - Op. cit. perg. 722.
05 - Op. cit. perg. 723.
06 - "Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita" In O Evangelho Segundo o Espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 87 ed. Rio de Janeiro, FEB, Item 06.

COMPLEMENTARES

07 - FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da língua Portuguesa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, s/d. pag. 1139.
08 - XAVIER. Francisco Cândido. O Consolador. Ditado pelo Espírito Emmanuel. 8. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. perg. 129.
 

PRIVAÇÕES VOLUNTÁRIAS

A palavra privação tem o sentido de "despojar, desapossar alguém de alguma coisa; destituir, tolher, fraudar. (...)"(7) Já privação voluntária consiste em renúncia consciente a bens, favores, gozos, facilidades ou direitos a que se tem acesso ou posse natural e legítima; mas a verdadeira privação voluntária é a que se dá em benefício do próximo, quer para auxilia-lo materialmente quer espiritualmente."(...) Há grande mérito quando os sofrimentos e as privações objetivam o bem do próximo, porquanto é a caridade pelo sacrifício.(...)(01)
Porém é compreensível que mesmo a privação voluntária tenha um limite. "(...) Pelo que vos respeita pessoalmente, contentai-vos com as provas que Deus lhes manda e não lhe aumenteis o volume, já de si, por vezes tão pesado; aceita-las sem queixumes e com fé, eis tudo o que de vós exige Ele. Não enfraqueçais o vosso corpo com privações inúteis e macerações sem objetivos, pois que necessitais de todas as vossas forças para cumprirdes a vossa missão de trabalhar na Terra. Torturar e martirizar voluntariamente o vosso corpo é contravir a lei de Deus, que vos dá meios de o sustentar e fortalecer. Enfraquece-lo sem necessidade é um verdadeiro suicídio.(...)"(01)
Existem privações voluntárias que, no entanto, são meritórias ao progresso individual. É o caso, por exemplo, daquela pessoa que se priva dos prazeres do mundo para auxiliar o próximo. Pelo seu trabalho, "(...) pelo emprego de suas forças, de sua inteligência, de seus talentos forma recursos para realizar seus generosos propósitos."(06) Essas privações são meritórias por haver "a privação dos gozos inúteis, porque desprende da matéria o homem e lhe eleva a alma. Meritório é resistir a tentação que arrasta ao excesso, ao gozo das coisas inúteis; é o homem tirar do que lhe é necessário para dar aos que carecem do bastante. Se a privação não passar de simulacro, será uma irrisão."(02)
Daí concluímos; são inúteis as privações ascéticas que observamos em vários religiosos. Com relação a isso os Espíritos Superiores nos falam; "Procurai saber a quem ela aproveita e tereis a resposta. Se somente serve a quem a pratica e o impede de fazer o bem, é egoísmo, seja qual for o pretexto com que entendam de colori-la. Privar a si mesmo e trabalhar para os outros, tal a verdadeira mortificação, segundo a caridade cristã."(03)
É notório que muitas pessoas quando passam a apreender um certo conhecimento espiritual começam a abstenção de certos alimentos, principalmente a carne, por compreenderem ser um comportamento contrário à lei da Natureza. A pergunta 723 de "O Livro dos Espíritos" traz respostas a esse assunto: "Dada a vossa constituição física. a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele pois, tem que se alimentar conforme o que reclame a sua organização."(05)
Porém, Emmanuel, nos alerta: "A ingestão das vísceras dos animais é um erro de enormes conseqüências, do qual derivam numerosos vícios da nutrição humana. É de lastimar semelhante situação, mesmo porque, se o estado de materialidade da criatura exige a cooperação de determinadas vitaminas, esses valores nutritivos podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade absoluta dos matadouros e frigoríficos.(...)"(08)
Não há contradição na resposta dada pelos Espíritos a Kardec e na de Emmanuel. Entre Kardec e os dias atuais, medeiam-se mais de cem anos. Na época da Codificação, talvez não fosse possível dar outra resposta senão aquela. Há que considerar, também, o grau de evolução da Humanidade de hoje e a do século passado. Á medida que o homem vai progredindo, moral e intelectualmente, passa a ter horror ao sacrifício dos animais mesmo para sua alimentação. O descobrimento de novas técnicas de produção, o aperfeiçoamento das existentes culminam por fazerem desaparecer, gradativamente, os matadouros e os frigoríficos. Hoje em dia, os recursos do solo, com o aperfeiçoamento da agricultura, são inumeráveis. Nas viagens espaciais, por exemplo, os astronautas alimentam-se de substâncias condensadas em forma de cápsulas, possuidoras de todos os nutrientes necessários à sobrevivência.
Na época de Kardec não havia uma indústria farmacêutica, como a existente hoje, capaz de produzir vitaminas, proteínas e tantas outras substâncias necessárias não só a sobrevivência humana e animal, como também no combate as doenças.
Por isso que, a medida que progredimos, que nos espiritualizamos, já não sentimos tanta necessidade dos despojos sangrentos dos animais.