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PROGRAMA IV

ROTEIRO 20

JUSTIÇA DIVINA
ESTUDO CRÍTICO DAS PENAS ETERNAS

OBJETIVOS BÁSICOS
Realizar um estudo critico das penas eternas, com base nas idéias contidas no capítulo 06 de "0 Céu e o Inferno", de Allan Kardec.
Definir penas futuras do ponto de vista espirita

IDÉIAS PRINCIPAIS
"A doutrina das penas eternas teve sua razão de ser. como a do inferno material, enquanto o temor podia constituir um freio para os homens pouco adiantados intelectual e moralmente. (...)" (01)
Para homens que só possuíam da espiritualidade da alma uma idéia confusa, o fogo material nada tinha de improcedente, mesmo porque já participava da crença pagã, quase universalmente propagada. Igualmente a eternidade das penas nada tinha que pudesse repugnar a homens desde muitos séculos submetidos à legislação do terrível Jeová. (...)" (02)
O dogma da eternidade absoluta das penas é, portanto, incompatível com o progresso das almas, ao qual opõe uma barreira insuperável.(...)" (04)
"(...) O Código penal da vida futura pode resumir-se nestes três princípios:
1º - O sofrimento é inerente à imperfeição.
2° - Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis(...) .
3° - Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar a futura felicidade (...)". (05)

FONTES DE CONSULTA

BÁSICAS
01 - KARDEC, Allan. Doutrina das Penas Eternas. In: O Céu e o Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Cap. 06, item 02, p. 68.
02 - Op. cit., item 07, p. 72.
03 - Op. cit., item 10, p. 74-75.
04 - Op. cit., item 21, p. 81.
05 - As Penas Futuras Segundo o Espiritismo. In: O Céu e o ; Inferno. Trad. de Manuel Justiniano Quintão. 29. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Cap. 07, item 33, p. 100-101

COMPLEMENTARES
06 - O NOVO TESTAMENTO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO E O LIVRO DOS SALMOS. Trad. por João Ferreira de Almeida. Brasília, Sociedade Bíblica do Brasil, 1974. Mateus, 5:44-48, p. 15.`
07 - Op. cit., Mateus, 18:14, p. 52.
08. Op. cit., João, 6:39, p. 247.
09 - Op. cit., João, 10:16, p. 265.
10 - XAVIER. Francisco Cândido. Evolução. In O Consolador, .8 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980. Parte 2ª. Cap. 05, questão 244,p. 146.

AS PENAS ETERNAS

As tradições de diversos povos registram a crença, muitas vezes intuitiva, de castigos para os maus e recompensas para os bons, na vida de além-túmulo. Diante da imortalidade da alma, com efeito, a razão e o sentimento de justiça levam à compreensão de que tratamento diferenciado deve ser dado aos homens pelas leis divinas, de conformidade com a natureza das obras que executaram durante a vida no corpo físico.
Todavia, a tese da eternidade das penas reservadas àqueles que infringem as leis do bem e do amor, e, em conseqüência, a existência do inferno, não resistem À analise objetiva. `
O raciocínio lógico conduz a seguinte premissa: se o Espírito sofre em função do mal que praticou, sua infelicidade deverá ser proporcional à falta cometida. O homem, dentro das limitações que caracterizam sua vida, em especial se considerarmos a teoria te uma única experiência na matéria, não teria condições de perpetrar crimes cujas conseqüências se prolongassem ao infinito, de modo a justificar a existência de tormentos eternos.
Cumpre considerar também que a condenação perpetua não se coaduna com a idéia cristã da sublimidade da justiça e da misericórdia divinas. Jesus testemunhou a Bondade e o Amor de Deus, ao afirmar que o "(...) Pai celeste (...)" não quer "(...) que pereça um só (...)" (07) de seus filhos, e ao recomendar, em outra oportunidade:"(...) Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque Ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e vir chuvas sobre os justos e injustos. (...) Por tanto, sede vós perfeitos como perfeito e o vosso Pai celeste." (06)
A razão, por outro lado, conduz à consideração de que Deus e um ser infinito em suas perfeições. "(...) ~ impossível conceber Deus de outra maneira, visto como, sem a infinita perfeição, poder-se-ia conceber outro ser que lhe fosse superior. Para que seja único acima de todos os seres, faz-se mister que ninguém possa excedê-lo ou sequer igualá-lo em qualquer coisa. Logo, e necessário que seja de todo Infinito. (...)" (03) Sendo, portanto, infinitamente sábio, justo e misericordioso não se pode crer que tenha criado seres para serem eternamente desgraçados, em virtude de uma falta passageira, conseqüência natural da imperfeição do homem.
A doutrina das penas eternas surgiu das idéias primitivas de um Deus irado e vingativo, a quem o homem atribuiu as características de sua inferioridade. O fogo eterno e somente uma figura de que o homem se utilizou para materializar a idéia do inferno, de modo a ressaltar sua crueldade, por considerar o fogo como o suplício mais atroz e que produz o tormento mais efetivo. Tal sorte de conceitos serviu, em certo período da historia da Humanidade, para controlar as paixões da infância da razão. Porem, não serve ao homem do século da inteligência, que nela não pode ver sentido lógico.
Jesus utilizou-se de figuras do inferno e do fogo eterno para colocar-se ao alcance da compreensão dos homens da época. Valeu-se de imagens fortes para impressionar a imaginação de homens que pouco podia entender das coisas do Espírito, e cuja realidade estava mais próxima da matéria e dos fenômenos que lhes impressionavam os sentidos físicos. Em muitas outras oportunidades enfatizou o ensino de que o Pai e misericordioso e bom e de que a Sua vontade e que, daqueles que foram confiados a Jesus, nenhum se perca. (08)
Desse modo, a Justiça Divina se manifesta na vida dos seres não para a mera punição, mas com o objetivo maior do redirecionamento ao bem. Deus criou os seres para progredir continuamente em conhecimento e amor. Essa evolução se produz através de diversas experiências no plano físico e no plano espiritual. A dor e o estimulo de que se vale a Providência divina para despertar a vontade de renovação e, assim, impulsionar o progresso. A infelicidade e, pois, conseqüência natural da imperfeição do Espírito e existe em virtude de suas necessidades de evolução.
O sofrimento não é eterno, pois o mal também não o é, de vez que todos foram criados para o aperfeiçoamento maior. ~ medida que o ser progride em amor e sabedoria o sofrimento vai-se atendo. "(...) Dia virá em que a consciência mais denegrida experimentará, no intimo, a luz radiosa da alvorada (...)" (10) do amor de Jesus. `
Felicidade e infelicidade são proporcionais às realizações e conquistas efetivas pelos homens em suas experiências evolutivas.
A consciência harmonizada com a Vontade Divina reflete o Amor Sublime e objetiva o Bem, vivendo a paz interior e a felicidade em sua plenitude. O Homem em desequilíbrio interior, ao contrário, ao se voltar para o mal, infringindo os códigos universais do amor, incorre nos mecanismos da Justiça Divina que, através da dor ou do sofrimento, o estimula ao reajuste e à reparação de seus erros.
Do homem e que depende a duração de seu sofrimento. Quanto mais cedo se utilizar de seu livre-arbítrio para evoluir, mais cedo ele se libertará do jugo da dor.
No Universo não há lugares reservados para o inferno, pois a dor opera a renovação do homem trabalhando em seu próprio coração. Há, no entanto, lugares de penitência no plano invisível, em que o sofrimento se apresenta sob diversas formas e intensidades. São os locais em que se reúnem Espíritos inferiores em evolução e que, pelo contato mútuo de seus vícios, magoam-se reciprocamente, mais do que o faziam quando jungidos ao corpo físico, pois nestes se vêem limitados pela matéria, e pelas regras da vivência social. Contudo, esses lugares não se assemelham ao inferno em sua tradicional acepção, pois se constituem em agrupamentos provisórios, sujeitos às modificações que lhes são impostas pelos mecanismos da reencarnação e pela lei do progresso, e que se extinguirão com a evolução dos seres que os freqüentam, quando, de acordo com as promessas de Jesus, "(...) ha verá um rebanho e um pastor." (09)

EXERCÍCIO DE ESTUDO DIRIGIDO


01. Assinale as opções corretas:
a) ( ) As seitas pagãs, como a grande maioria das cristãs pregam a existência de regiões de torturas e sofrimentos para os maus, e beatitude para os bons.
b) ( ) A Lei de Causa e Efeito explica, em essência, a destinação espiritual do homem. ~
c) ( ) A condenação perpetua coaduna-se com a justiça e a misericórdia divinas. i
d) ( ) O perdão divino não se traduz por uma graça concedida aos homens.
e) ( )É provável que Deus tenha criado seres voltados eterna mente para 0 bem.
f) ( ) A dor e o sofrimento não são "castigos divinos ", porem mecanismos capazes de reajustar o Espirito no caminho do bem.
g) ( ) Para o Espirito altamente individado perante as leis divinas, existe a sensação de eternidade do sofrimento.
h) ( ) Os lugares de penitência no plano invisível - como o vale dos suicidas (*)são o inferno anunciado por diversas seitas religiosas.
i) ( ) A dor opera a renovação do homem.
j) ( ) A doutrina das penas eternas imagina Deus como um ser antropomórfico.

NUMERE A COLUNA DA DIREITA DE ACORDO COM A COLUNA DA ESQUERDA.

01. Lei de Causa e Efeito. ( ) 'Amai as vossos inimigos".(Ma tens, 5:44-48 ).
02. Atributo divino ( )Figura usada por Jesus para os baldos de conhecimento espiritual.
03. Céu e inferno religiosos ( ) Infinitamente justo e misericordioso.
04. Fogo eterno. ( ) Perfeição espiritual.
05. Lei do perdão ( ) Liberdade de escolha entre o bem e o pal.
06. Destinação do homem. ( ) A dor.
07. A duração do sofrimento. ( ) Ocorre nos pianos físico e espiritual.
08. Evolução do Espírito. ( )Lugares circunscritos de bem-aventuranças e sofrimentos eternos.
09. Coopera na melhoria do homem ( ) Não é eterna.
10. Livre-arbítrio. ( ) Cada um colhe o que semeia.
( ) Causa da miséria moral humana

 


03. Responda:

a. Como devemos interpretar as palavras de Jesus, registradas em Mateus, 18:14:_ "(...) Não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos''
b. Como õ Espiritismo contribuiu para eliminar a idéia das penas eternas? -
c. Por que a idéia da existência de um inferno não resiste a uma análise objetiva?
d. Que significado devemos dar às palavras inferno e satanás utilizadas por Jesus?

GABARITO DE RESPOSTAS DO EXERCÍCIO

01. As opções corretas são as seguintes: a, b, d, f, g, i, j.
02. A enumeração correta é esta: 05, 04, 02, 06, 10, 09, 08, 03, 07, 01.
03. a. Não há condenação eterna para os Espíritos que erram, nem mesmo para aqueles que cometem graves crimes. A todos Deus dá a chance de reparar o mal cometido.
b. Ensinando e provando a imortalidade da alma, a lei de causa e efeito, a reencarnação e a comunicabilidade dos Espíritos através da mediunidade.
c. Porque foge ao raciocínio humano e vai contra a idéia de justiça e misericórdia divinas.
d. Figuras alegóricas usadas como força de expressão e com a finalidade de impressionar Espíritos distanciados de ensinamentos espirituais.