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PROGRAMA V

ROTEIRO 38

OBSESSÃO
O PROCESSO OBSESSIVO: O OBSESSOR E O OBSIDIADO ~ _ 1A PARTE

OBJETIVOS BÁSICOS
Relatar como se estabelece o processo obsessivo.
Caracterizar o obsessor e o obsidiado.
Dizer como auxiliar obsessores e obsidiados.

IDÉIAS PRINCIPAIS
"Encontrando em sua vítima os condicionamentos, a predisposição das defesas desguarnecidas, disso tudo se vale o obsessor para instalar a sua onda mental na mente das pessoas visadas. (...)"(6)
O processo obsessivo '(...) apresenta caracteres muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem perceptíveis sinais exteriores ate a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais. (...)' (01)
O obsessor é, (. .) um irmão enfermo e infeliz. Dominado pela idéia fixa (monoideísmo) de vingar-se, esquece-se de tudo o mais e passa a viver em função daquele que é o alvo de seus planos (...). ' (7)
"Obsidiado - obsesso: Importunado, atormentado, perseguido. (...)(5)
Perante obsessores " exercite-se, (...) no ministério da oração (...)
Cultive a bondade, desdobrando os braços da indulgência (...)
Renove as disposições intimas e, quando aquinhoado com os ensejos de falar com esses seres de mente em desalinho, perturbados no mundo Espiritual, unja-se de amor e compreenda-os, ajudando quanto lhe seja possível com a humildade e a renuncia . ( . . )"
"Perante os obsidiados aplique paciência e 3 compreensão, a caridade da boa palavra e do passe, o gesto de simpatia e cordialidade; (.. .) Ajude-o quanto possa; no entanto, insista para que ele se ajude ( . . . ) . ' (4)
 

FONTES DE CONSULTA.

BÁSICAS
01. KARDEC, Allan. Obsessões e possessões. In: - A Gênese trad. de Guillon Ribeiro, 04 ed. Rio de Janeiro, FEB, 1982. Item 45, p. 304

COMPLEMENTARES
02. FRANCO ~ Divaldo Pereira. Examinando a obsessão. In: -.Nos Bastidores da obsessão. Pelo Espírito Manuel Philomeno de Miranda. 2. ed. Rio de Janeiro, FEB, 1976. p. 31.
03. Op. cit., p 38.
04. Op. cit., p. 41.
05. SCHUBERT, Suely Caldas. O Obsidiado In. Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p. 61.
06. O processo obsessivo. In:-. Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p. 50
07-. Quem é o obsessor? In:-. ' Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p. 69.
 

O PROCESSO OBSESSIVO: O OBSESSOR E O OBSIDIADO
O problema da obsessão, sob qualquer aspecto, envolve obsessor e obsidiado. Quase sempre, evocações do passado estabelecem ligação entre o desencarnado e o encarnado. A influência que este último recebe e, inicialmente, sutil, mas aos poucos o envolvimento cerebral se acentua, ate atingir um estágio de verdadeira vampirização, em que obsessor e obsidiado se completam. As causas da obsessão localizam-se, portanto, em processos morais lamentáveis, em que o perseguidor e a vitima deixaram-se envolver no Pretérito. Reencontrando-se agora, e imantados pela Lei da Justiça Divina, iniciam-se as trocas mentais, muitas vezes já na vida intra-uterina, intercâmbio vibratório que se acentua a partir do nascimento, durante a nova encarnação do obsidiado. Sob qualquer forma, desde a mais simples até a subjugação, a obsessão exige tratamento difícil, pois ambos, obsessor e obsidiado, são enfermos do Espirito. (02, 06)
Na intensificação do processo obsessivo, justapõe-se subtilmente "(...) cérebro a cérebro, mente a mente, vontade dominante sobre vontade que se deixa dominar, órgão a órgão", através do corpo espiritual. A cada concessão feita pelo hospedeiro, mais coercitiva se faz a presença do hóspede, que se transforma em parasita insidioso, estabelecendo, muitas vezes, a simbiose através da qual o poder da vontade dominadora consegue apagar a lucidez do dominado. (02). Em toda a obsessão, o encarnado conduz em si mesmo os fatores predisponentes (débitos morais a resgatar) que permitem o processo. Encontrando em sua vítima os condicionamentos, a predisposição e as defesas desguarnecidas, disso tudo se vale o obsessor para instalar a sua onda mental na mente da pessoa visada, (06) A interferência dá-se por processo semelhante ao que acontece no rádio, quando uma emissora clandestina passa a utilizar determinada freqüência operada por outra, prejudicando-lhe a transmissão. O perseguidor age com persistência para que se estabeleça a sintonia mental, enviando seus pensamentos numa repetição constante, hipnótica, à mente da vitima que, invigilante, assimila-os, deixando-se dominar pelas idéias intrusas. Acrescenta Kardec que na obsessão o Espírito atua exteriormente, com a ajuda do seu perispírito, que ele identifica com o perispírito do encarnado, ficando este constrangido a proceder contra a sua vontade. (01)
Perante os obsessores, é imperioso que se cultive a oração com carinho e devotamento. O Espírito encarnado tem necessidade de comunhão com Deus através da prece tanto quanto, o corpo físico necessita de ar para conservar a saúde. Na Terra, somos o que pensamos, permutando vibrações que se harmonizam com outras vibrações afins . É indispensável, pois, cultivar bons pensamentos a fim de neutralizar as influencias negativas dos que nos cercam na experiência diária. No exercício da oração, habituamo-nos também a meditar sobre as inadiáveis necessidades de libertação ,e de progresso.
Ante os seres perturbadores do mundo espiritual, é necessário cultivar a bondade, abrindo o coração ao perdão e a indulgencia, de modo a alcançar a fraternidade e compreensão. É preciso renovar a disposição íntima para que, ao conversarmos com esses seres de mente em desalinho, através do pensamento ou da palavra, saibamos compreende-los, ajudando-os quanto possível, com amor e humildade.
O trabalho incansável pelo bem comum, inspirado no ensino trazido pelos Espíritos, superiores, conserva-nos a mente e o coração em Jesus, sintonizados com as esferas mais altas onde sorveremos as forças para vencer as agressões de que somos vítimas. Orando e ajudando, conservamos a nossa paz.
Quando solicitado a auxiliar um obsidiado, não nos deve faltar a paciência, a compreensão, bem como a caridade da boa palavra e do passes. É imperioso, entretanto, contribuir para seu próprio esclarecimento, insistindo para que ele próprio se ajude. Ele deve entender que, com o seu progresso, contribuirá para o aprimoramento do outro ser que, ligado a ele por imposição da Justiça Divina, tem necessidade de evoluir também. ( 05, 06, 07 )
 

A N E X O 0 1

O OBSIDIADO
"As Imperfeições morais do obsidiado constituem, freqüentemente, um obstáculo a sua libertação."
(o Livro doa Médiuns, Allan Kardec, Item 2s2.)
Obsidiado—Obsesso: Importunado, atormentado, perseguido. Indivíduo que se crê atormentado, perseguido pelo Demônio. (14)
Obsidiados—todos nós o fomos ou ainda somos
Desde que não conseguimos a nossa liberdade completa; desde que ainda não temos a nossa carta de alforria para a eternidade; desde que caminhamos sob o guante de pesadas aflições que nos falam de um passado culposo e que ressumam sombras ao nosso redor; desde que ainda não temos a plenitude da paz de consciência e do dever cumprido; desde que somos (orçados, cerceados, limitados em nosso caminhar e constrangidos a suportar presenças que nos causam torturas, inquietações, lágrimas e preocupações sem conta, é porque, em realidade, ainda somos prisioneiros de nós mesmos, tendo como carcereiros aqueles a quem devemos. Estes que hoje se comprazem em nos observar —a nossa "nuvem de testemunhas" —, manter e forçar a que permaneçamos no cárcere de sombras que nós mesmos construímos.
Prisão interior. "Cela pessoal" - nos diz Joanna de Ângelis - , onde grande maioria se mantém sem lutar por sua libertação, acomodada aos vícios, cristalizada nos erros. Cela da qual o Espiritismo veio nos tirar, com seus ensinamentos que consolam, mas, sobretudo, que libertam.
Obsidiados! Cada um deles traz consigo um infinito de problemas que não sabe precisar.
Necessitam de nossa compreensão. Pedem-nos ouvidos atentos e caridosos, ansiando desabafar os seus conflitos.
Chegam aos magotes em nossas Casas Espíritas. Vem em busca de alívio e conforto. Quando apresentam lucidez suficiente, procuram explicações e respostas. Devemos estar preparados para recebê-los. E não apenas isto, mas acolhe-los e tratá-los com a caridade legítima, orientando, encaminhando, clarificando os seus caminhos com as bênçãos que a Terceira Revelação nos proporciona.
É nosso dever esclarecer a esses irmãos que o combate mais renhido que deverão travar não é contra o obsessor - pois a este é mister conquistar através do amor e do perdão -, mas, sim, contra si mesmos. Peleja em que devem empenhar-se, no intuito de se modificarem, no anseio de moralização, até que dêem ao verdugo atual a demonstração efetiva de sua transformação.
Nestas condições, ele pode conseguir a conquista do obsessor que hoje o subjuga. Conquista esta progressiva, demorada, mas sublime, pois ao final encontrar-se-ão frente a frente, já agora, intimamente renovados e redimidos. Esse o único caminho para a libertação
O obsidiado é o algoz de ontem e que agora se apresenta como vitima. Ou então é o comparsa de crimes, que o cúmplice das sombras não quer perder, tudo fazendo por cerceá-lo em sua trajetória. As provações que o afligem representam oportunidade de reajuste, alertando-o para a necessidade de se moralizar, porquanto. Sentindo-se açulado pelo verdugo espiritual, mais depressa se conscientizará da grandiosa tarefa a ser realizada: transformar o ódio em amor, a vingança em perdão, e humilhar-se, para também ser perdoado.
Voltando-se para o bem, conquistando valores morais, terá possibilidades de ir-se equilibrando, passando a emitir novas vibrações - e atraindo outras de igual teor - que lhe trarão saúde e paz.
A sua transformação moral, a vivência no bem, o cultivo dos reais valores; da vida verdadeira irão aos poucos anulando os condicionamentos para a dor, enquanto favorecerão a sua própria harmonização interior, que é, sem dúvida, fator de melhor saúde física.
Patenteia-se aí a perfeição da Justiça Divina que possibilita ao infrator redimir-se pelo bem que venha a realizar, adquirindo créditos que facilitarão a sua caminhada, abrindo-lhe novos horizontes.
Por isto que é a Doutrina Espirita a terapêutica completa para obsidiados e obsessores, como de resto para todos os seres humanos . Desvendando o passado, demonstra o porquê de dores e aflições e abre perspectivas luminosas para o futuro.
Nesta visão panorâmica de passado-presente-futuro desponta o Amor de Deus a sustentar todas as criaturas no carreiro da evolução. A Justiça do Pai é equânime e ninguém fica impune ou marginalizado diante de Suas Leis, mas, ela é, sobretudo, feita de Amor e Misericórdia, possibilitando ao faltoso renovadas ensanchas de redenção e, desde que ele desperte para essa realidade, encontrar-las-á em seu caminho, e, se souber aproveitá-las, aliviara seus débitos, trazendo-lhe simultaneamente melhores condições espirituais. Sabendo que pode amenizar a dor, não só pela compreensão de suas causas, mas também por intermédio de todo o bem que possa fazer, mais fácil se torna para o ser humano a caminhada. Embora profundamente vinculado ao pretérito e experimentando provações amargas, terá na consoladora mensagem do Espiritismo esperanças novas e novo alento para prosseguir.

(14) Novo Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio Buarque de Holanda Ferreira
SCHUBERT, Suely Caldas. Obsidiado. In Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p.61-63
 
 

A N E X O 0 2
QUEM É O OBSESSOR?
" Obsessores visíveis e invisíveis são nossas próprias obras, espinheiros plantados por nossas mãos "
(seara dos Médiuns, Emmanuel, psicografia do Francisco Cândido Xavier, "Obsessores".)
Obsessor—Do latim obsessore. Aquele que causa a obsessão; que importuna. (15)
O obsessor é uma pessoa como nós.
Não é um monstro teratológico saído das trevas, onde tem a sua morada para todo o sempre.
Não é um ser diferente, que só vive de crueldades, nem um condenado sem remissão pela Justiça Divina.
Não é um ser estranho a nós. Pelo contrário. É alguém que privou de nossa convivência, de nossa intimidade, por vezes com estreitos laços afetivos. É alguém, talvez, a quem amamos outrora. Ou um ser desesperado pelas crueldades que recebeu de nós, nesse passado obumbroso, que a bênção da reencarnação cobriu com os véus do esquecimento quase completo, cm nosso próprio beneficio
O obsessor é o irmão, a quem os sofrimentos e desenganos desequilibraram, certamente com a nossa participação.
Muitos, por desconhecimento, transferiram para o obsessor os atributos do próprio demônio, se este existisse.
Entretanto, quantos de nós já não cometemos essas mesmas atrocidades que ele comete agora? Quantos de nos já não alimentamos ódios semelhantes? Quem está livre de trazer nos escaninhos da consciência a mesma inimaginável tortura de um amor desvairado, doentio, que se fez ódio e se converteu em taça de fel? Quem pode dizer qual seria a nossa reação se vivêssemos as tormentas que Ihe corroem as profundezas da alma?
O ódio só no amor tem cura. É o antídoto que anula os efeitos maléficos, que neutraliza, e, sobretudo, transforma para o bem. Geralmente, É o ódio que impulsiona o ser humano a vingança é sempre um desforço que se pretende tomar, como quem está pedindo contas a outrem de atos julgados danosos aos seus interesses.
A figura do obsessor realmente impressiona, pelos prejuízos que a sua aproximação e sintonia podem ocasionar. E disto ele tira partido para mais facilmente assustar e coagir a sua vítima. E esta, apresentando, em razão do seu passado, os condicionamentos que facilitando a sintonia, traz, no mais recôndito do seu ser. o medo desse confronto inevitável e a certeza da própria culpa, tornando-se presa passiva do seu algoz de agora.
Não é fácil ao obsidiado amar o seu obsessor. Não é fácil perdoá-lo. Mas, é o que se torna necessário aprender.

(15) Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda
 

O Espiritismo, mostrando-nos toda a trajetória por nós percorrida e as vinculações e compromissos que adquirimos no decorrer de sucessivas reencarnações; descortinando para nossas almas o que fomos, somos e poderemos ser mediante o uso do livre-arbítrio; desvendando as intrincadas questões do ser através da fé racional, lúcida e ativa, torna possível o que a ignorância fazia parecer impossível: perdoar e até aprender a amar ao obsessor.
A Doutrina Espirita nos veio ensinar a Verdade e esta nos faz enxergar por dentro de nós mesmos. Ela nos desnuda perante a nossa própria consciência, pois o verdadeiro espírita não teme o auto-exame, a auto-análise, que Ihe possibilitará conhecimento mais profundo de deficiências, das sombras que existem dentro de cada um.
Diante dessa conscientização é que nos lançamos à reforma intima. Primeiro, o mergulho dentro do nosso eu, o reencontro doloroso mas essencial, quando contemplamos os escombros, as ruínas em que transformamos o que tínhamos de melhor. Depois dessa constatação, a Doutrina estimula a reconstrução e, atém disso, muito mais: possibilitamos e facilita a reedificação do universo interior.
Essa é uma façanha notável, que unicamente o Consolador Prometido consegue proporcionar ao ser humano.
Fato interessante acontece com o obsessor. Quando surge em nosso caminho, ele nos enxerga tal qual fomos ou somos. Ele nos conhece de longa data e não se iludirá se hoje nos apresentam os com outra capa, outra face. Ele nos vê tal como nos viu, quando nos defrontamos no pretérito. Para ele, o tempo parou no instante em que foi ferido mortalmente, no momento em que teve os seus sonhos destruídos e quando se sentiu traído ou injustiçado. O tempo parou ali e, consequentemente, aquele que está sendo perseguido é também a mesma criatura, para a qual não haveria nenhum modo de mascarar-se, caso tentasse.
Mas, em se aproximando, com o tempo, ainda que nos observando através das lentes do rancor, ele acabará por notar as mudanças que ocorreram em nosso modo de ser. de pensar e de agir —se estas existirem realmente. E só através dessa constatação é que se conseguirá alguma coisa no sentido de conquistá-lo e motivá-lo igualmente a uma transformação.
Aquele que possui o conhecimento espirita terá enormes possibilidades de aprender a exercitar o perdão e o amor pelos seus inimigos. Tanto melhor quanto mais se lembrar de que o perseguidor assim se apresenta por ter sido levado, por quem hoje é a vítima aos sofrimentos que deram origem ao ódio e à vingança.
O obsessor é, em última análise, um irmão enfermo e infeliz. Dominado pela idéia fixa (monoideismo) de vingar-se, esquece-se de tudo o mais e passa a viver em função daquele que é o alvo de seus planos. E, na execução desses, o seu sofrimento ir-se-á agravando proporcionalmente às torturas que venha a infligir ao outro, o que acarretará para os seus dias futuros pesado ônus do qual não conseguirá escapar senão pela reforma intima.
Nenhuma etapa de sua desforra Ihe dará a almejada felicidade e alegria, nem trará a paz por que tanto anseia, pois o mal é geratriz de desequilíbrios, frustrações e insuportável solidão.
Existem obsessores de grande cultura e que, por isto mesmo exercem amplo domínio sobre Espíritos ignorantes e igualmente perversos ou endurecidos, que a eles se vinculam. São os comparsas de que carecem para a execução de seus planos, estando sintonizados na mesma faixa de interesses.
Os obsessores, entretanto, não são totalmente maus, é preciso que se diga. Como ninguém é absolutamente mau. São, antes, doentes da alma. Possuem sementes de bondade, recursos positivos que estão abafados, adormecidos.
Os obsessores e obsidiados são assim pessoas como nós. São seres que sofrem porque se desmandaram entre si. São carentes de afeto compreensão e amor. Seres infelizes, para os quais o Espiritismo veio trazer o consolo e a esperança de uma vida nova de amor e paz.
Para eles, para toda a Humanidade ecoa a amorosa assertiva do Mestre: "Eu não vim para o justo, mas para o pecador..."
.
Nem todo obsessor tem consciência do mal que está praticando. Existem aqueles que agem por amor, por zelo, pensando ajudar ou querendo apenas ficar junto do ser querido.
O caso da Sra. O... demonstra isto
A Sra. O... viu-se de um instante para outro acometida de uma tristeza inexplicável, seguindo-se-lhe um desânimo também difícil de ser entendido, por mais pesquisasse as causas. Sentia-se sem forças, tendo que permanecer quase o dia todo no leito, em repouso. Chorava muito e não conseguia atinar com a razão de tanto abatimento. Foi examinada por vários médicos, que não acharam nenhum mal que justificasse o seu estado.
Resolveu, em conseqüência disso, procurar "Casa Espírita" para orientação e passes. Verificou-se estar sob influência espiritual muito forte—a entidade que a acompanhava era a sua própria irmã, desencarnada há algum tempo, de maneira repentina e que havia sido pessoa muito boa, havendo inclusive entre elas uma afeição muito grande.
Foi feito o esclarecimento da irmã desencarnada, na reunião apropriada, e o resultado foi imediato. A Sra. O.. . curou se, passando a levar uma vida normal.
Casos como este existem em grande número e evidenciam o total despreparo das criaturas para a morte.

UM OBSESSOR "SIMPÁTICO"

Alguns obsessores apresentam interessante faceta para os estudos do assunto.
Foi o caso de certa entidade que se comunicou na reunião do Centro Espirita Ivon Costa. Muito educado, distinto, tratava ao esclarecedor com toda calma e gentileza. Dizia-se, na verdade, perseguindo a uma pessoa a quem odiava, mas não tinha raiva de mais ninguém e inclusive compreendia o nosso papel ao tentarmos beneficiar a sua vítima. Acreditava em Deus, em Jesus, no amor, mas não tinha vontade de abandonar o seu intento.
Mesmo com todos esses dados positivos de caráter, o seu esclarecimento foi demorado, rendendo-se por fim à evidência do amor, diante de aproximação de um Espírito a quem muito amava e que foi por ele visto durante os trabalhos.

SCHUBERT, Suely Caldas, Quem e o obsessor? In: -. Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p. b7-71.

A N E X O 0 3
° 38
l
MODO DE AÇÃO DO OBSESSOR
"Sutilmente, a principio, em dedicado processo de hipnose, a idéia obsidente penetra a mente do futuro hóspede que, desguardado das reservas morais necessárias (...) começa a dar guarida ao pensamento infeliz, Incorporando-o às próprias concepções, e traumas que vêm do passado, através de cujo comportamento cede lugar à manifestação Ingrata e dominadora da alienação obsessiva." — Manoel Philomeno de Mlranda.
(Sementes de Vlda Eterna, Autores Diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, cap. 30.)

Consciente ou inconscientemente, usando ou não de artificio e sutilezas, o obsessor age sempre aproveitando-se das brechas morais que encontra em sua vítima. Os condicionamentos do pretérito são como Imãs a atrai-lo, favorecendo a conexão imprescindível ao processo obsessivo, que tanto pode começar no berço como na infância ou em qualquer fase da existência daquele que é alvo de seu interesse.
Obsessões existem que, apenas, dão prosseguimento, na Terra, à obsessão preexistente no plano espiritual.
Há casos, em grande número, em que a ação do verdugo espiritual tem inicio em determinada época, apresentando-se de maneira declarada, ostensiva ou de modo sutil, quase imperceptível, que vai num crescendo até o ponto em que se caracteriza perfeitamente o problema.
Agindo na "surdina", o obsessor se utiliza de todos os recursos ao seu alcance. Sabe que o domínio que exerce sobre a sua vitima tem as suas raízes nos dramas do passado, em que ambos se enredaram, gerando compromissos de parte a parte. Sente, mesmo que não tenha cultura, Instintivamente, que poderá interferir com o seu pensamento na mente daquele a quem persegue e também que a constância, a repetição exercerão uma espécie de hipnose que o medo e o remorso favorecem, conseguindo assim uma sintonia cada vez maior, até a subjugação ou possessão, dependendo da gravidade do caso e das dividas que envolvem os personagens.
Nem sempre, porém, a ação do obsessor é fria e calculista. Nem sempre ele age com premeditação e com requintes de crueldade. Há obsessões, sim, que apresentam essas características, mas nem todas. Existem aquelas outras em que o algoz atua como que enlouquecido pela dor, pela angustia e sofrimentos. Não tem condições de raciocinar com clareza e sofre até mais que o obsidiado. Sua ação é desordenada, irrefletida e ele; sabe apenas que deve ou tem de pedir contas ou se vingar daquele que o tornou infeliz. Não tem noção de tempo, de lugar, às vezes, esqueceu-se do próprio nome, ensandecido pelas torturas que o vitimaram.
Muitos não tem consciência do mal que estão praticando. Podem estar sendo usados por obsessores mais inteligentes e mais cruéis, que os atormentam, enquanto os obrigam a, por sua vez, atormentarem os que são objeto de vingança ou ódio. Obsessores que também são obsidiados, conforme comentamos no capítulo 5.
Via de regra, os obsessores chefiam outros obsessores, que tanto podem ser seus cúmplices por vontade própria ou uma espécie de escravos, dominados por processos análogos aos usados com os obsidiados encarnados.
Esses Espíritos são empregados para garantir o cerco, intensificar a perturbação não só da vítima como dos componentes do seu círculo familiar. Permanecem ao lado destes, acompanham-lhes os passos, vigiam-lhes os movimentos e têm a incumbência de ocasionar -Ihes problemas, mal-estar, confusões, o que conseguirão desde que a criatura visada não se defenda com a luz da prece e o reforço de uma vida edificante, voltada para a prática da caridade e para o desejo constante do bem.
Nos casos mais graves, utilizam-se dos ovóides para vampirização, o que resulta numa questão bastante dolorosa e complexa de ser solucionada.
Os obsessores valem-se dos instantes do sono físico de suas vitimas para intensificarem a perseguição. Nestas ocasiões, mostram-se como realmente são, no intuito de apavorar e exercer com Isso maior domínio. Quando já há uma sintonização bem estreita, facilitada sobretudo pela culpa, o remorso e o medo, o obsessor age como dono da situação, levando o perseguido a sítios aterrorizantes, visando desequilibrá-lo emocionalmente, deixando plasmadas na sua mente as visões que tanto amedrontam. Envolvem a vítima com seus fluidos morbíficos e, em certos casos, chegam à posse quase completa desta através de complicadas intervenções no seu perispírito. Manoel Philomeno de Miranda narra que, em um paciente atormentado por obsessores cruéis, foi implantada "pequena célula fotoelétrica gravada, de material especial, nos - centros da memória" (16). Operando no perispírito, realizou o implante, induzindo a vítima a ouvir continuamente a voz dos algozes ordenando-lhe que se suicidasse.
Tais processos denotam imensa crueldade, mas não devem ser motivo de surpresa para nós, pois sabemos que na esfera física quanto na espiritual os homens são os mesmos. Não há também entre nós processos de tortura inconcebíveis? O que vem fazendo o homem em todos os tempos, em todas as guerras e até em tempo de paz, senão tentar aperfeiçoar os métodos de suplicio, de modo a torná-los mais requintados, com o fito de provocar dores cada vez mais acerbas em seus semelhantes ?

Temos acompanhado os mais diversos casos de obsessão. E sentimos de perto os dramas que se desenrolam nas sombras, nos círculos íntimos de tantas criaturas que padecem esse afligente problema, porque semanalmente os ouvimos, sentimos, recebemos, durante a reunião de desobsessão, quando nos inteiramos de casos que nos comovem e surpreendem pela complexidade e o inusitado das situações.
Grande número de entidades se manifestam dizendo estar em determinado local, ao lado de certa pessoa e que ai são constrangidas a permanecer, tendo inclusive medo de sair, de desobedecer, de serem retiradas, porque o "chefe castiga", "não deixa", etc.
Outras se comunicam confessando abertamente que foram encarregadas de assustar determinada criatura ou família, e para isto provocam brigas, intrigas, confusões, insuflando idéias desse teor naqueles que se mostram receptivos, envolvendo-os com seus fluidos perturbadores, rindo-se dos resultados, zombando do medo e das preocupações que acarretam. Zombam declaradamente das pessoas, revelando o modo de ação que empregam com a finalidade de se vangloriarem da própria esperteza e infundirem o temor entre os participantes da reunião, visto que também os ameaçam de usar em seus lares os mesmos métodos.
(16) Nos Bastidores de Obsessão, Manoel Philomeno do Miranda, psicografia do Divaldo Pereira Franco, cap. 8, 2.a ed. FEB.

Certa vez, na reunião em que colaboramos, sentimos a presença de um grupo de Espíritos desencarnados entre 15 e 18 anos. Tinham a aparência desses que vemos nas ruas, denominados "pivetes" ou "trombadinhas". Dentre eles comunicou-se uma mocinha desencarnada aos 17 anos, maltrapilha e extremamente zombeteira. Cantou-nos que andavam ao léu, pelas ruas, tal como faziam antes, dedicando-se especialmente a entrarem nos lares cujas portas estivessem abertas (e aqui no duplo sentido: físico e espiritual), com a finalidade de provocar desordens e brigas entre os moradores. Isto descrito num linguajar peculiar, com a gíria comumente empregada Também contou que tinham prazer em usufruir do conforto dessas casas, refestelando-se nas poltronas macias e desfrutando de comodidades que não tiveram em vida. Obviamente isto só era possível nos lares em que, embora havendo conforto material, o ambiente espiritual não diferençava muito do que era próprio a esses "pivetes" desencarnados.
Foi preciso muito amor e carinho de toda a equipe para conscientizá-los de que existia para todos uma vida bem melhor, se quisessem despertar para ela. Que havia ao lado deles pessoas que os amavam e que desejavam aproximar-se para auxilia-los. E que acima de tudo estava Jesus, o Amigo Maior, que não desampara nenhuma de suas ovelhas.
Como a carência de amor dessas almas fosse bem maior que toda a revolta que os abrasava, aos poucos emocionaram-se com os cuidados e carinho de que foram alvo e, ao final, sob a liderança da jovem que se comunicou - uma espécie de porta-voz do grupo - e que foi também a primeira a se sentir amorosamente confortada, o grupo foi levado, após a prece comovente feita pelo doutrinador.
Durante a Comunicação foi-nos possível divisar alguns quadros da vida dessa quase menina, que nasceu, cresceu e viveu em locais que os homens habitualmente denominam " na sarjeta". Sua desencarnação foi trágica, vitimada pelos maus tratos de um homem.
Esse pequeno grupo de Espíritos não tinha consciência completa do mal que causavam, embora desejassem faze-lo, vingando-se da sociedade que sempre os desprezara. Viviam de modo quase semelhante ao que levavam quando na vida material, apenas sentindo-se mais livres e com mais facilidade de ação. Não tinham ciência de que poderia haver para eles um outro tipo de existência, revelando-se-lhes, na reunião, aquele outro caminho: o das bênçãos do Alto em forma de trabalho digno e edificante.
O obsessor poderá valer-se, se for do seu interesse, de grupos semelhantes, visando a acelerar a consecução dos seus planos.
Na quase totalidade dos casos que observamos, o obsessor não age sozinho. Sempre arregimente companheiros, comparsas que o ajudam e outros que são forcados a colaborar, cientes ou não do plano urdido pelo chefe.
Várias obras da literatura mediúnica espirita narram obsessões complexas, mostrando detalhadamente os meios e técnicas empregados pelos verdugos. Em "Ação e Reação" e "Libertação", encontramos, respectivamente, o caso Antônio Olímpio e seu filho Luís, e o de Margarida. Em ambos, atuavam grandes falanges de obsessores. Igualmente no caso da família Soares, da obra "Nos Bastidores da Obsessão".
Para que se atenda ao obsidiado, imprescindível socorrer simultaneamente toda a falange de algozes que o cerca. Aos poucos essas entidades menos felizes são atraídas para a reunião de desobsessão, num trabalho de grande alcance e profundidade. Geralmente, quando o chefe se comunica, quase todos os seus prepostos já foram atendidos e encaminhados, o que o torna enfurecido ou desesperado, tentando arregimentar novas forças e ameaçando os membros da reunião, que ele culpa e para os quais transfere parte do seu ódio.

Dal, porque é fundamental que a reunião seja toda ela estruturada na fé inabalável, no mais acendrado amor ao próximo, na firmeza e na segurança que une todos os seus integrantes e, especialmente, sob a amorosa orientação de Jesus e dos Mentores Espirituais - que são em verdade o sustentáculo de todo o abençoado ministério socorrista.
Frente a um obsessor cruel e vingativo, que ameaça não só os da equipe encarnada, mas que diz estender o seu ódio aos familiares dos que ali estão presentes, desafiando-os com todos os tipos de agressões verbais (evidentemente sofrendo a necessária censura do médium, que as transmite e que só deixa passar aquilo que o bom senso permita), mas que ainda assim são de molde a atemorizar os menos afeitos a esses serviços (17), unicamente resistem aqueles que estão preparados para tal mister. Os que tenham fé e experiência; que amem esse trabalho e, por conseguinte, tenham amor para doar a esses Irmãos infortunados que a dor marcou profundamente; e tenham a mais absoluta convicção no amparo de Jesus através da direção espiritual que orienta todas as ocorrências. E - por que não dizer? - estejam preparados para sofrer e chorar pela dor que asselvaja esses corações e os transforma em seres quase irracionais.
Tão amargurado ódio, tão angustiantes conflitos nos ferem também o coração, que se repleta de amor por eles, verdugos e vítimas, já que também, um dia, perdido nas brumas do passado, padecemos as mesmas inenarráveis torturas, que hoje a Doutrina Espirita veio consolar, explicar e ensinar-nos a curar.
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(17) É bom que se esclareça que, apesar de a maior parte do trabalho ser efetivada pela equipe espiritual, o obsessor vai voltar-se contra os encarnados por serem os mais vulneráveis, já que não podem fazer o mesmo com os guias e trabalhadores espirituais.

SCHUBERT, Suely Caldas. Modo de ação do obsessor. In: -. Obsessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, 1981, p. 72-77

A N E X O 0 4
PARASITOSE ESPIRITUAL
"(. . . ) vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebtamente, das possibilidades alheias."
(Missionários da Luz, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier cap. 4.1

Existe vampirização em larga escala, desde os tempos imemoriais. Sempre existiram criaturas que vivem a expensas de outrem, absorvendo-lhes as energias das mais diferentes maneiras, tanto no plano físico quanto no espiritual.
Assim, os que se encontram muito apegados às sensações materiais prosseguem, após o túmulo, a buscar sofregamente os gozos em que se compraziam. Para usufrui-los, vinculam-se aos encarnados que vibram em faixa idêntica, instalando-se então o comércio das emoções doentias. Por outro lado, os obsessores, por vingança e ódio, ligam-se às suas vítimas com o intuito de absorver-lhes a vitalidade, enfraquecendo-as e exaurindo-as, para conseguirem maior domínio. Idêntico procedimento tem os desencarnados que se imantam aos seres que ficaram na Terra e que são os parceiros de paixões desequilíbrantes. Ressalte-se que existem aqueles que, já libertos do corpo físico, ligam-se, inconscientemente, aos seres amados que permanecem na crosta terrestre, mas sem o desejo de fazer o mal. E, mesmo entre os encarnados, pessoas existem que vivem permanentemente sugando as forças de outros seres humanos, que se deixem passivamente dominar. Essa dominação não fica apenas adstrita à esfera física, mas, tal como mencionamos no capítulo 5, que se refere à obsessão entre encarnados, intensifica-se durante as horas de sono. Quanto mais profunda for essa sintonia maior será a vampirização (18)
Em qualquer dos casos configura-se perfeitamente a parasitose espiritual.
No livro "Evolução em dois Mundos", André Luiz compara os parasitas existentes nos reinos inferiores da Natureza aos "parasitas espirituais", visto que os meios utilizados pelos desencarnados, que se vinculam aos que permanecem na esfera física, obedecem aos mesmos princípios de simbiose prejudicial.
Reportando-se aos ectoparasitas (os que limitam a própria ação às zonas de superfície) e aos endoparasitas (os que se alojam nas reentrâncias do corpo a que se impõem), traça o autor um paralelo entre estes e a ação dos obsessores.
Realmente encontramos muitos desencarnados que agem como ectoparasitas, ou seja, "absorvendo as emanações vitais dos encarnados que com eles se harmonizem, aqui e ali", como são os que se aproximam eventualmente dos fumantes, dos alcoólatras e de todos aqueles que se entregam aos vícios e desregramentos de qualquer espécie.

(18) Também aqueles que se aproveitam do trabalho alheio - em regime de quase escravidão - pagando e essas criaturas salários de fome, que as colocam, em condições. subumanas, exercem, de carta forma, a parasitose.

E como endoparasitas conscientes os que, "após se inteirarem dos pontos vulneráveis de suas vitimas", assenhoreiam-se de se u campo mental "impondo-lhes ao centro coronário a substância dos próprios pensamentos, que a vitima passa a acolher qual se fossem os seus próprios. Assim, em perfeita simbiose, refletem-se mutuamente , estacionários ambos no tempo, até que as leis da vida Ihes reclamem, pela dificuldade ou pela dor, a alteração imprescindível" (19)..
Agem dessa forma os obsessores que pretendem subjugar a sua vitima num processo lento, continuo e progressivo.
Observe-se, todavia, com relação aos seres humanos, que aquele que age como ectoparasita pode passar a atuar como endoparasita, caso queira e encontre campo para tanto.
O parasitismo espiritual (ou vampirismo) é um processo grave de obsessão que pode ocasionar sérios danos àquele que se faz hospedeiro (o obsidiado), levando-o à loucura ou até mesmo à morte.
O quadro das aflições e degradações humanas é bastante deplorável, daí por que a missão do Espiritismo avulta a cada instante, pois que ele traz a única terapêutica possível para esses dramas pungentes.
(19) Evolução em dois Mundos, André. Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira, cap.. XIV a XV, 5.. ed. FEB.
SCHUBERT, Suely Caldas. Parasitose espiritual. In. Obessão/Desobsessão. Rio de Janeiro, FEB, l981 p. 78-80